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Irã diz ter apreendido navio-petroleiro estrangeiro no Golfo

Tensão no entorno do Estreito de Ormuz, por onde transita quase um terço do petróleo bruto mundial pela via marítima, sofreu escalada nas últimas semanas

Por Da Redação 18 jul 2019, 09h18

O Irã apreendeu um navio-petroleiro estrangeiro que contrabandeava combustível no Golfo Pérsico, informou nesta quinta-feira, 18, a Guarda Revolucionária iraniana, segundo a televisão estatal.

“Uma embarcação estrangeira contrabandeando 1 milhão de litros de combustível na Ilha Lark do Golfo Pérsico foi apreendida”, disse a emissora, acrescentando que o navio foi detido no domingo 14.

A agência de notícias iraniana Fars afirmou que homens da Guarda Revolucionária fizeram uma emboscada para capturar o navio, que carregava 12 pessoas a bordo.

Ainda não está claro qual é a embarcação apreendida, mas as hipóteses levantadas são de que seja um petroleiro do Panamá que perdeu o contato com sua base no último final de semana.

O Irã havia dito que auxiliou o navio depois que ele teve problemas técnicos no Golfo Pérsico no domingo 14. Segundo o porta-voz do ministério de Relações Exteriores, Abbas Mousavi, as forças de Teerã direcionaram o petroleiro MT Riah para águas territoriais iranianas para realizar os reparos necessários.

O governo dos Estados Unidos, contudo, afirmou que a embarcação panamense, que fica baseada nos Emirados Árabes Unidos, foi forçada a entrar no território do Irã.

Desde o final de semana, a inteligência americana investiga o que aconteceu com o MT Riah. O site de monitoramento naval Marine Vessel Traffic não tem uma localização exata do petroleiro desde 7 de julho.

  • Tensão no Oriente Médio

    A tensão no entorno do Estreito de Ormuz, por onde transita quase um terço do petróleo bruto mundial pela via marítima, sofreu uma escalada nas últimas semanas. Na origem dos acontecimentos estão ataques de autoria desconhecida contra petroleiros e a destruição de um drone americano por parte do Irã.

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    Acusada por Washington de estar por trás dessas sabotagens, Teerã nega qualquer envolvimento. Além disso, denuncia a vontade dos Estados Unidos de “provocar um choque” no setor, por meio da imposição de sanções severas e de um embargo às exportações de petróleo.

    Um novo episódio se somou à lista de incidentes na quarta-feira 10, quando a Marinha militar iraniana tentou – segundo o Reino Unido – “impedir a passagem” pelo Estreito de Ormuz de um petroleiro britânico. O HMS Montrose, que foi em seu socorro, teria tido de “lançar advertências verbais” aos iranianos para que recuassem.

    A Guarda Revolucionário do Irã negou qualquer “confronto” recente com navios estrangeiros.

    Este incidente foi registrado depois que o presidente iraniano, Hassan Rohani, alertou os britânicos, também na quarta-feira, para as “consequências” da retenção, por parte de Londres, do petroleiro do Irã Grace 1, na costa de Gibraltar.

    A embarcação foi apreendida em 4 de julho pela polícia e pela Alfândega de Gibraltar, com a colaboração da Marinha Real britânica, ao longo desse território situado ao extremo-sul da Espanha.

    Gibraltar alegou suspeitar de que o navio levava petróleo para a Síria, o que violaria sanções europeias contra o governo de Bashar Assad. Teerã nega a acusação e denuncia um ato de “pirataria”.

    Na sexta-feira 12, o Reino Unido anunciou que vai aumentar temporariamente sua presença militar no Golfo Pérsico, enviando para a região um segundo navio de guerra.

    (Com Reuters)

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