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Irã desafia os EUA depois do anúncio de novas sanções

Por Ebrahim Noroozi 1 jan 2012, 19h05

O Irã desafiou os Estados Unidos neste domingo, pouco depois que Washington anunciou novas sanções contra a República Islâmica, disparando um míssil de médio alcance perto do Estreito de Ormuz e anunciando ter testado pela primeira vez barras de combustível produzidas no país.

Esta demonstração de força acontece num momento em que os países ocidentais acentuam sua pressão sobre Teerã frente a seu controvertido programa nuclear.

As Forças Armadas do Irã testaram um míssil de alcance médio terra-ar durante importantes manobras navais que o país executa no estratégico Estreito de Ormuz.

“Este míssil de alcance médio terra-ar está equipado com a mais moderna tecnologia de combate contra alvos com capacidade para evitar radares e sistemas inteligentes que tentam interferir na navegação dos mísseis”, declarou o comodoro Mahmud Mussavi.

Foi o primeiro teste com este tipo de míssil, projetado e fabricado no Irã, segundo o militar.

Mussavi não informou se o míssil foi disparado a partir de um navio ou da terra.

As manobras navais, iniciadas em 24 de dezembro, acontecem ao redor do Estreito de Ormuz.

O Irã ameaçou fechar esta via estratégica para o abastecimento de petróleo, por donde transita entre um terço e 40% do tráfego marítimo petroleiro mundial, em caso de novas sanções contra as exportações de combustível do país.

Os exercícios militares acabarão na segunda-feira com uma manobra destinada a comprovar a capacidade das forças navais de fechar o Estreito, segundo o comodoro Mussavi.

“A partir de amanhã, a maioria de nossas unidades navais – de superfície, submarinas e aéreas – vão posicionar-se segundo uma nova disposição tática destinada a impossibilitar a passagem de qualquer navio pelo Estreito de Ormuz se a República Islâmica assim decidir”, completou o militar.

O governo do Irã também anunciou neste domingo que seus cientistas testaram a primeira barra de combustível nuclear, produzida com urânio de depósitos do interior do país.

“Depois de muitos testes físicos, a barra foi introduzida no reator de pesquisas nucleares de Teerã para investigar seu bom funcionamento”, afirma o site da Organização Iraniana de Energia Atômica.

Em 15 de dezembro, o chanceler iraniano Ali Akbar Salehi afirmou que o país recorreria pela primeira vez ao urânio enriquecido a 20% produzido localmente em sua usina nuclear de Teerã.

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O Irã justificou o início da produção de urânio enriquecido a 20% em fevereiro de 2010 com o argumento de que precisava alimentar o reator nuclear de pesquisa na capital, que até então funcionava com reservas de combustível que o país havia comprado da Argentina em 1993.

Enriquecido a 20%, o urânio está destinado a um uso puramente civil, mas se for enriquecido acima de 90% pode ser utilizado para a fabricação de uma bomba atômica.

A OIEA não informou o nível de enriquecimento do urânio introduzido nas barras da central.

Essa exibição de força acontece logo depois de, no sábado, o presidente dos Estados Unidos promulgar uma lei de financiamento do Pentágono que reforça as sanções contra o setor financeiro do Irã.

Segundo a Casa Branca, as medidas, que visam a castigar a República Islâmica por seu programa nuclear, foram incluídas em uma proposta de lei de defesa de 662 bilhões de dólares, que foi assinada por Obama, apesar de suas “fortes reservas” a respeito de medidas que limitam sua margem de manobra em termos de prisão de suspeitos de terrorismo.

As companhias estrangeiras deverão escolher entre fazer negócios com o banco central e o setor financeiro e petroleiro do Irã ou com os Estados Unidos.

Os bancos centrais estrangeiros que negociam com o BC iraniano em transações de petróleo poderão enfrentar restrições similares sob a nova lei.

Obama manifestou em um comunicado publicado ao promulgar a lei sua preocupação de que esta interfira em sua autoridade constitucional para realizar negociações com governos estrangeiros, ao ver atada sua capacidade de manobra.

A proposta de lei, que foi aprovada por ampla maioria no Congresso, reserva um pequeno espaço de atuação para Obama, ao conceder a ele um prazo de 120 dias para denunciar o acordo.

Em reação à notícia das novas sanções, o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad afirmou que o Banco Central do Irã enfrentará com “força” o mais recente pacote anunciado pelo governo dos Estados Unidos.

“O Banco Central é a espinha dorsal da pressão aos inimigos, e com autoconfiança deve possuir a resistência necessária para eliminar as conspirações”, disse o presidente, durante a assembleia anual dos dirigentes da instituição, segundo declarações reproduzidas no site da presidência.

“Devemos proteger o povo e o país dessas conspirações do inimigo”, insistiu.

Ahmadinejad disse que, “atualmente, não há problemas particulares no setor econômico” iraniano, minimizando, assim, os efeitos das sanções precedentes impostas pelas potências ocidentais.

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