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Irã defende diálogo nuclear, mas deixa de vender petróleo a Paris e Londres

Por Por Siavosh Ghazi 19 fev 2012, 18h17

O Irã reiterou neste domingo sua disposição em retomar rapidamente as negociações com as grandes potências sobre seu polêmico programa nuclear, pouco antes de suspender a venda de petróleo para França e Reino Unido.

Teerã quer um acordo que permita “que ambas as partes saiam ganhando”, disse o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, neste domingo.

“Entendemos a posição da outra parte e queremos dar a ela a possibilidade de salvar as aparências. Vamos participar destas conversas com um enfoque positivo e esperamos que eles venham com boa vontade”, acrescentou.

Pouco mais tarde, o porta-voz do Ministério iraniano do Petróleo, Alireza Nikzad, indicou que as vendas de cru “para as companhias britânicas e francesas foram interrompidas”. “Decidimos fornecer nosso petróleo a outros clientes”, acrescentou, citado pelo site oficial do ministério.

O Irã é o segundo maior produtor da Opep, com uma produção de 3,5 milhões de barris diários, dos quais exporta 2,5 milhões.

Este país vende pouco mais de 20% de seu petróleo para a União Europeia (cerca de 600.000 barris/dia), principalmente para a Itália, que comprou cerca de 185.000 barris diários em 2011 (13% de suas importações), a Espanha (161.000 barris, ou seja, 12% de suas importações) e a Grécia (103.000 e 30% respectivamente). O anúncio deste domingo pode representar uma advertência para esses países.

Em 2011, a França importava 58.000 barris diários de petróleo iraniano, cerca de 3% de suas necessidades.

O Irã havia anunciado na quarta-feira que vai revisar para baixo suas vendas de petróleo aos países europeus, embora não vá interrompê-las “no momento”, respondendo, com isso, ao embargo gradual sobre o petróleo iraniano decidido anteriormente pela União Europeia (UE).

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Na sexta-feira, a chefe da política externa da UE, Catherine Ashton, e sua colega americana, Hillary Clinton, haviam saudado o envio por parte de Teerã de uma carta na qual dizia estar disposto a retomar as negociações sobre seu programa nuclear.

O principal negociador iraniano para a questão nuclear, Said Jalili, propôs nessa carta às potências do grupo 5+1 (Estados Unidos, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha) a retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano, se for respeitado o seu direito à energia atômica com fins pacíficos.

Uma delegação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) viajará na segunda-feira para Teerã para uma visita, a segunda em um mês, para esclarecer os verdadeiros objetivos do programa nuclear iraniano.

“Esperamos obter resultados concretos nesta visita. A prioridade continua sendo a possível dimensão militar do programa nuclear iraniano, mas queremos abordar todas as questões importantes”, declarou em Viena o chefe dos inspetores da AIEA, Herman Nackaerts.

Já o comandante americano de mais alta patente considerou “prematuro” optar por um ataque militar contra o Irã por causa de seu programa nuclear neste momento.

“Creio que as sanções econômicas e a cooperação internacional obtida em torno das sanções estão começando a surtir efeito”, afirmou o general Martin Dempsey, chefe do Estado-Maior conjunto americano, no programa “Fareed Zakaria GPS” da rede CNN.

No sábado à noite, antes do começo de uma visita do conselheiro de segurança nacional do presidente americano Barack Obama, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses, o general Benny Gantz, afirmou que seu país tomará a decisão de atacar o Irã sozinho.

Essas declarações coincidem com a chegada a Israel do assessor de segurança nacional americano Tom Donilon para manter “consultas com autoridades israelenses sobre diversos temas”, entre eles o Irã.

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