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Irã: conselho só aprova 8 de 686 candidatos presidenciais

Conservadores e independentes foram aprovados, e reformistas e opositores foram desqualificados. Pleito já é considerado o mais restrito da história do país

O Conselho dos Guardiães, que supervisiona a vida política do Irã, admitiu apenas oito das 686 candidaturas para as eleições presidenciais do próximo dia 14 de junho, informou nesta terça-feira a agência oficial Irna, citando o secretário do Escritório Eleitoral do Ministério do Interior, Seyed Solai Mortazavi. Com isso, o pleito já é considerado o mais restrito da história da república islâmica desde sua implantação em 1979, com apenas um setor do regime com força para ganhar e todos os demais relegados ou proscritos.

A medida aumenta a possibilidade de protestos dos setores excluídos. Foram desqualificados, por exemplo, o ex-presidente reformista moderado Akbar Hashemi Rafsanjani e o nacionalista conservador e liberal em questões sociais, Esfandiar Rahim Mashaei, apoiado por Mahmoud Ahmadinejad – os dois principais opositores à linha que segue o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.

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Entre os candidatos aprovados estão cinco conservadores, próximos a Khamenei, e três que se apresentam como independentes: Hassan Rohani e Mohamad Reza Aref – considerados por alguns como reformistas moderados – e Mohamad Qarazi, que desempenhou cargos públicos em distintas administrações.

Entre os conservadores admitidos destaca-se Saeed Jalili, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e principal negociador internacional do país em matéria nuclear, e Mohamad Bagher Qalibaf, prefeito de Teerã; Gholam Ali Haddad Adel, ex-presidente do Parlamento; Ali Akbar Velayati, assessor do líder supremo e ex-ministro das Relações Exteriores; e Mohsen Rezaei, ex-chefe do Conselho de Guardiães. Velayati e Rezaei são acusados de envolvimento no atentado de 1994 contra um centro da comunidade judaica na Argentina, alvo de um acordo entre os dois países.

Limitações – Os iranianos estão enfrentando lentidão na internet e limitações no acesso nas semanas que antecedem a eleição presidencial, período que colocou as autoridades conservadoras islâmicas em alerta contra possíveis turbulências. As autoridades iranianas negam, mas especialistas acreditam que os transtornos estão diretamente relacionados ao pleito, marcado por acusações de fraude e subsequentes protestos, organizados em parte pelo Facebook, Twitter e outras redes sociais.

O site oposicionista Kaleme noticiou nesta segunda-feira que a segurança foi reforçada em Teerã, aparentemente para reagir a protestos após as candidaturas de Rafsanjani ou Mashaie serem rejeitadas pelas autoridades. Os usuários iranianos da internet – cerca de 45 milhões de pessoas, segundo dados oficiais – enfrentam crescentes obstáculos no acesso à rede desde a eleição de 2009.

(Com agências Reuters e EFE)