Irã condena mulheres à morte por participação em manifestações contra governo
Onda de protestos ganhou força a partir do fim de dezembro, impulsionada pelo colapso da economia e derretimento da moeda nacional
Duas mulheres foram condenadas à morte por participação em protestos antigovernamentais no Irã no começo deste ano, informaram grupos de direitos humanos nesta segunda-feira, 31.
Ambas foram sentenciadas em casos separados, mas relacionados a incidentes em Isfahan, um dos pontos da mobilização nacional que atingiu seu auge em 8 e 9 de janeiro.
O Irã já executou 29 homens por acusações relacionadas aos protestos, segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega. Nenhuma mulher foi executada por este motivo até então.
Taraneh Rahimi, de 20 anos, foi condenada por participação em incidentes em uma praça que deixaram dois mortos, entre eles um integrante das forças de segurança, informaram nesta segunda-feira o grupo Hengaw, sediado na Noruega, e a ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos. Outros acusados por participação no mesmo incidente foram condenados a até 36 anos de prisão, incluindo a irmã de Taraneh.
“Os advogados dos acusados não obtiveram acesso a uma parte importante do processo e contestaram por não ter sido concedido tempo suficiente para revisar os documentos e as provas”, afirmou a HRANA.
Já Leila Abolhasani, de 43 anos, foi condenada por incendiar uma loja. Seus familiares afirmam que ela estava apenas filmando o local em chamas, segundo o observatório jurídico Dadban e a HRANA.
Ela foi condenada pelo crime de “fazer guerra contra Deus”, punível com a morte. O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal para revisão.
Os protestos
A onda de protestos no Irã, que durou até o final de janeiro, ganhou força a partir do fim de dezembro passado, impulsionada pelo colapso da economia iraniana e pelo derretimento da moeda nacional, o rial, que perdeu quase 50% do valor contra o dólar ao longo de 2025 e atingiu uma baixa histórica. Com o avanço da repressão, os atos ganharam um caráter mais amplo, transformando-se em um movimento de contestação direta ao regime teocrático que governa o país desde 1979.
Imagens e depoimentos divulgados no auge dos protestos indicam que o governo promoveu uma das repressões mais letais das últimas décadas. Testemunhas relataram o uso de armas automáticas contra manifestantes desarmados, além de prisões em massa. Segundo grupos de direitos humanos, algumas pessoas sofreram tortura, incluindo espancamentos e estupros.
Em janeiro, a HRANA disse ter confirmado a morte de 5.848 pessoas, entre elas 209 integrantes das forças de segurança. Ao menos 41.283 pessoas foram detidas, segundo o grupo.
As autoridades iranianas acusam os organizadores dos protestos de terrorismo e de ligação com governos estrangeiros. O governo iraniano reconhece 3.117 mortes, a maioria de integrantes das forças de segurança ou de transeuntes inocentes assassinados por “vândalos”.
(Com informações da AFP)







