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Irã condena jovens a chicotadas por dançarem ‘Happy’

Além das chibatadas, os seis jovens foram condenados a penas de seis meses e um ano de detenção por 'participar da produção de um vídeo vulgar'

Jovens iranianos foram presos após dançarem a música Happy, do músico Pharrell Williams, em vídeo publicado na internet Jovens iranianos foram presos após dançarem a música Happy, do músico Pharrell Williams, em vídeo publicado na internet

Jovens iranianos foram presos após dançarem a música Happy, do músico Pharrell Williams, em vídeo publicado na internet (/)

(Atualizada às 21h13)

Um tribunal iraniano condenou seis jovens que gravaram um vídeo [assista abaixo] dançando ‘Happy’, música de Pharrell Williams, a penas de prisão e chicotadas, segundo informou nesta quinta-feira a Campanha Internacional de Direitos Humanos no Irã, uma ONG com sede nos Estados Unidos. O site da ONG assegura que os jovens foram julgados esta semana acusados de “participar da produção de um vídeo vulgar” e “manter relações ilícitas” entre eles. As penas são de seis meses de prisão e 91 chicotadas cada um, exceto uma das participantes, Reyhaneh Taravati, que teria sido condenada a um ano de prisão.

As penas foram suspensas, Segundo um dos participantes do vídeo consultado pelo New York Times, mas ainda podem ser aplicadas se os condenados cometerem algum delito nos próximos três anos. Esta é uma forma comum de dissuasão usado pelo sistema judiciário do Irã, observa o jornal.

O grupo foi detido no último mês de maio depois que o vídeo, considerado provocador segundo os padrões morais da República Islâmica, se espalhou pela internet. Nas imagens, os seis jovens aparecem cantando alegremente a popular canção do cantor americano em terraços e ruas de Teerã e no interior de uma casa. As meninas não usam o véu islâmico que obrigatoriamente todas as mulheres devem cobrir seu cabelo nem a capa sobre a roupa para ocultar suas formas físicas.

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Além disso, as mulheres aparecem dançando com os homens, uma violação do mais estrito código de comportamento islâmico que as autoridades iranianas tentam fazer respeitar no país, sobretudo na esfera pública. Um dia após a detenção, os jovens foram postos em liberdade pagando uma fiança e ficaram à espera do julgamento em liberdade. Na ocasião, a polícia confiscou seus telefones celulares, computadores e outros artigos pessoais.

Além disso, dois dos jovens compareceram na rede de televisão estatal Irib para mostrar seu arrependimento por ter participado da gravação e assegurar que tinham sido enganados. No programa também apareceu o chefe da polícia iraniana, Hoseyn Sayedinia, que advertiu aos que pretendam fazer vídeos similares que “serão identificados e punidos”.

(Com agência EFE)

Irã, versão 1

A teocracia iraniana que impede o acesso livre à internet não perdoou o grupo de seis jovens que gravou e publicou na internet uma versão da música em que garotas dançam alegremente sem véu. A patrulha moral condenou as imagens tidas como “obscenas” e “vulgares” e prendeu os jovens

Irã, versão 2

Vivendo sob um sistema de governo opressivo, os jovens que aparecem nesse clipe estão desafiando os aiatolás e também correm o risco de serem detidos. Mulheres sem o véu islâmico – contrariando a lei – aparecem somente em cenas gravadas em lugares fechados ou na natureza, e nenhum homem aparece dançando em locais movimentados. A polícia moral iraniana não perdoaria tais ‘excessos’.

Ucrânia

Os protestos contra o presidente Viktor Yanukovich, que rejeitou um acordo com a União Europeia para se aproximar do governo russo de Vladimir Putin, foram tema de um vídeo feito por jovens ucranianos. Apenas no início as pessoas aparecem cantando e dançando. Na maior parte do vídeo, a música foi combinada com imagens das barricadas erguidas em Kiev, manifestantes mascarados, outros usando pedados de madeira como escudo, locais incendiados e muitas bandeiras. Também há espaço para depoimentos de manifestantes definindo sua ideia de ‘felicidade’. Um homem diz que seria poder reencontrar os jovens que morreram nos confrontos. Uma mulher afirma que seria uma Ucrânia “livre, verdadeiramente democrática, uma terra de prosperidade”. Yanukovich foi destituído e fugiu para a Rússia, que lançou seus tentáculos para o país vizinho e anexou a península da Crimeia.

Brasil

Jovens cariocas gravaram um vídeo para denunciar os atrasos nas obras, a criminalidade urbana e os problemas sociais da cidade que receberá a final da Copa do Mundo. Na versão, pessoas cantam e dançam entre montanhas de lixo, em meio ao trânsito parado, diante dos painéis indicano voos atrasados, no metrô lotado, nas filas do bondinho que leva turistas ao Cristo Redentor. Até o caso do  menor preso a um poste foi lembrado. 

 

Filipinas

A arrasadora passagem do supertufão Haiyan pelas Filipinas deixou mais de 10.000 mortos e milhares de pessoas feridas e desabrigadas. Um grupo de jovens resolveu gravar um vídeo em meio aos escombros – em uma das cenas mais impressionantes, um rapaz é filmado ao lado de navios cargueiros que foram arrastados do oceano para dentro das cidades. No final, a mensagem ‘nunca desista’ e uma menção à ONU, que fez uma parceria com Pharrell Williams para a comemoração do Dia Internacional da Felicidade, 20 de março, e incentivo à doações para causas humanitárias. 

Tunísia

O país que foi o berço da primavera árabe também ganhou um vídeo inspirado na canção de Pharrell Williams. A versão foi gravada quando ainda estava em vigor o estado de emergência decretado em 2011, durante as revoltas que provocaram a queda do regime de Zine Ben Ali.

Rússia

No país em que jovens foram presas e condenadas por fazer uma barulhenta apresentação em uma catedral em protesto contra o apoio do patriarca da Igreja Ortodoxa a Vladimir Putin, e onde milícias cossacas espancam as jovens que repetiram o protesto, a gravação de uma versão de ‘Happy’ também pode ser uma iniciativa ‘ousada’.