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Irã captura petroleiro britânico e diz que EUA abateram seu próprio drone

Guarda Revolucionária Iraniana divulga um vídeo para desmentir o anúncio "delirante" de Donald Trump sobre aeronave não tripulada abatida

Por Da Redação Atualizado em 19 jul 2019, 19h09 - Publicado em 19 jul 2019, 18h07

O navio-petroleiro britânico Stena Impero alterou, repentinamente, sua rota no Estreito de Ormuz nesta sexta-feira, 19, para o norte, rumando para águas iranianas. Autoridades britânicas alegaram que a embarcação foi capturada pela Guarda Revolucionária Iraniana (IRCC), quase ao mesmo tempo em que a mesma IRCC alegava ser americano o drone abatido pelos Estados Unidos no dia anterior.

Uma segunda embarcação operada por companhia britânica, o petroleiro liberiano Mesdar, também teria sido obrigada a mudar sua rota para o porto de Ras Tanura, na Arábia Saudita, em direção a águas iranianas, informou o ministro britânico das Relações Exteriores, Jeremy Hunt. O governo iraniano não confirmou essa captura.

“Nosso embaixador em Teerã está em contato com o Ministério de Relações Exteriores iraniano para solucionar a situação, e nós estamos trabalhando de perto com nossos parceiros internacionais”, afirmou. “Esses capturas são inaceitáveis. É essencial que a liberdade de navegação seja mantida e que todos os navios possam navegar com segurança e liberdade na região.”

As acusações e correções se acumulam nesta escala de tensões entre os Estados Unidos e o Irã, agravadas desde que o governo de Donald Trump retirou seu país do acordo nuclear com Teerã, em 2018, e impôs novamente sanções econômicas draconianas sobre o regime persa.

A empresa dona do navio, Stena Bulk, disse em um comunicado que “pequenas embarcações não identificadas e um helicóptero se aproximaram (do petroleiro) durante a passagem pelo Estreito de Ormuz enquanto a embarcação estava em águas internacionais”. Em seguida, a companhia perdeu contato com a tripulação, composta de 23 marinheiros.

“Atualmente, estamos sem contato com a embarcação que está se dirigindo para o norte, em direção ao Irã”, informou a Stena Bulk em comunicado. A Guarda Revolucionária justifica a apreensão do petroleiro por ter “violado leis internacionais”.

O anúncio da captura do Stena Impero ocorreu horas depois de a Justiça de Gibraltar, território britânico ao sul da Espanha, declarar que vai prolongar a retenção de um petroleiro iraniano feita em em 4 julho. A embarcação Grace 1 foi confiscada pelas autoridades de Gibraltar sob a suspeita de violação de sanções imposta pela União Europeia a Damasco ao levar petróleo para a Síria.

No início de julho, a Marinha britânica interceptou embarcações da Guarda Revolucionária Iraniana que tentavam abordar um outro navio petroleiro de bandeira inglesa. Na ocasião, o presidente do Irã, Hassan Rohani, disse que a apreensão do Grace 1 em Gibraltar teria “consequências”.

O governo britânico informou que está “avaliando a situação do incidente no Golfo”. A Casa Branca disse que Donald Trump e Emmanuel Macron, presidente da França, conversaram por telefone sobre os esforços atuais para assegurar que o Irã não obtenha armas nucleares.

Drone americano

Na tarde de quinta-feira 18, o presidente americano, Donald Trump informou que a Marinha americana havia abatido um drone iraniano que se aproximava “perigosamente” do navio militar USS Boxer.

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“O (USS) Boxer tomou uma ação defensiva contra um drone iraniano que tinha se aproximado a uma distância muito, muito pequena, de umas 1.000 jardas (cerca de 1 km). “O drone foi destruído imediatamente”, disse Trump.

Porém, a Guarda Revolucionária Iraniana divulgou na tarde desta sexta-feira, 19, um vídeo mostrando o drone que teria sido abatido pelos americanos. Conclui, não é iraniano, mas dos Estados Unidos.

O porta-voz das Forças Armadas iranianas, Abolfazl Shekarchi, disse que, “ao contrário do anúncio delirante e infundado de Trump, todos os drones que pertencem à Guarda Revolucionária Iraniana no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, incluindo o mencionado pelo presidente americano, retornaram à base em segurança”.

“Nós não perdemos nenhum drone no Estreito de Ormuz nem em outro lugar. Estou preocupado que o USS Boxer tenha derrubado um drone americano por engano”, ironizou o vice-chanceler iraniano, Seyed Abbas Araghchi.

 

  • Em junho, o Irã anunciou, e os Estados Unidos confirmaram, o abate de um drone americano no Estreito de Ormuz. Teerã diz que o drone invadiu o espaço aéreo iraniano, enquanto a Casa Branca afirma que ele foi abatido em águas internacionais. Trump chegou a autorizar um ataque em represália, mas recuou no último instante.

    As tensões com o Irã vêm numa escalada desde que os Estados Unidos resolveu sair do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), firmado entre Teerã, Washington, União Europeia, Rússia, China e Reino Unido, que visa a limitar a capacidade iraniana de enriquecer urânio em troca da retirada de sanções econômicas.

    Desde então, os Estados Unidos restabeleceram as sanções econômicas pré-acordo e impuseram novas restrições, além de terem enviado mais tropas para o Oriente Médio. Como consequência, diversos navios petroleiros foram atacados na região, mas o Irã nega a autoria.

    Teerã defende a permanência do acordo e condena a saída unilateral dos EUA, e como forma de pressionar os outros signatários a cumprirem com o JCOPA, começou a enriquecer urânio ameaçando ultrapassar o limite estabelecido pelo acordo. O Irã quer que a União Europeia volte a comprar o petróleo, mas teme sanções americanas.

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