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Irã cancela de última hora encontro entre Temer e Rouhani

Na reunião seriam discutidos problemas no financiamento de exportações que o governo brasileiro tenta resolver desde as suspensões de sanções contra o Irã

Por Da redação - Atualizado em 20 Sep 2017, 16h45 - Publicado em 20 Sep 2017, 16h16

O encontro que o presidente Michel Temer (PMDB) teria na manhã desta quarta-feira com o presidente do Irã, Hassan Rouhani, foi cancelado de última hora a pedido da delegação iraniana na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA).

O cancelamento da reunião, em que Temer discutiria com Rouhani uma maneira de permitir o financiamento de exportações do Brasil à república islâmica, foi solicitado devido a mudanças inesperadas na agenda do líder iraniano, de acordo com a assessoria da Presidência brasileira. O encontro fora pedido por Rouhani.

O financiamento de exportações do Brasil é um problema que o governo brasileiro tenta resolver desde a suspensão de parte das sanções comerciais contra o Irã como resultado de acordo com potências internacionais sobre o programa nuclear iraniano.

Apesar da suspensão das sanções ao Irã, os Estados Unidos mantêm o país na lista de sanções financeiras do Office of Foreign Assets Control (Ofac). Isso significa que bancos que operarem com títulos iranianos poderão ser punidos se negociarem também no mercado norte-americano.

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O Brasil tenta resolver essa situação há mais de um ano. Um cálculo do governo brasileiro aponta para um potencial de pelo menos 20 bilhões de dólares em exportações para o Irã, especialmente na área de veículos. Foram iniciadas negociações com a Embraer para venda de jatos regionais e com a Marco Polo para fornecer ônibus, além de conversas sobre venda de caminhões, automóveis e alimentos.

Apesar do interesse do Brasil e da pressão sobre o Banco do Brasil, não se encontrou ainda uma solução técnica para escapar das medidas norte-americanas. Chegou-se a avaliar o não uso de dólares nas transações para evitar as sanções, mas o diálogo não avançou. Não havia, de qualquer maneira, perspectiva de que uma solução saísse do encontro desta quarta-feira, já que a reunião entre os dois presidentes seria eminentemente política.

A situação pode ficar ainda mais complicada se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmar suas ameaças e voltar a aumentar as sanções contra o Irã. Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira, Trump atacou o Irã e ameaçou romper com o acordo fechado em 2015 por Barack Obama sobre o programa nuclear iraniano, que levou ao levantamento de parte das sanções.

Antes de retornar para o Brasil, no final da tarde desta quarta-feira, Temer participará do evento Reuters Newsmaker, na sede da Reuters, em Nova York. O fórum de discussão reúne líderes mundiais em várias áreas para uma entrevista ao vivo com o editor-chefe da Reuters, Stephen Adler, e uma plateia de convidados.

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Reuniões

Um dia antes do início da Assembléia Geral da Organização das Nações unidas, Temer se reuniu em um jantar com Donald Trump e líderes de países latinos-americanos, como Juan Manuel Santos (Colômbia) e Juan Carlos Varela (Panamá), para debater a crise na Venezuela.

Apesar do encontro com Rouhani ter sido cancelado, Temer já havia agendado outro encontros com figuras importantes do Oriente Médio para discutir questões bilaterais e relativas à região. O presidente conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, apresentando ao político o Programa de Parceria de Investimentos (PPI), que prevê uma série de projetos de concessões e privatizações. Manifestou, também, interesse do governo de que empresários israelenses participem de leilões de empresas públicas brasileiras.

Temer também se encontrou com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, que, segundo o governo brasileiro, elogiou as reformas do país, em especial, a Proposta de Emenda Constitucional do Teto de Gastos, e com o presidente palestino, Mahmound Abbas quando convidou o líder para visitar o Brasil.

(Com Reuters)

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