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Irã ataca ‘bases estratégicas’ dos EUA no Kuwait após incursão em ilha com ‘fortaleza de mísseis’

Guarda Revolucionária Islâmica diz ainda ter atacado dois petroleiros que tentavam cruzar o Estreito de Ormuz sob 'escolta aérea' americana

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 jul 2026, 11h06
Irã ataca ‘bases estratégicas’ dos EUA no Kuwait após incursão em ilha com ‘fortaleza de mísseis’ Priorizar nos meus resultados Google

O Irã reivindicou nesta sexta-feira, 31, ataques com drones contra instalações militares “estratégicas” dos Estados Unidos no Kuwait e contra dois petroleiros que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz, em retaliação a uma ofensiva lançada por Washington na madrugada de quinta-feira.

Em comunicado divulgado pela agência de notícias iraniana Fars, as forças militares da república islâmica disseram ter atacado áreas de “aviões de combate, sistemas de comunicações via satélite e instalações de armazenamento de equipamentos na base aérea Ahmad al Jaber, no Kuwait”.

De acordo com o Irã, as instalações atacadas “desempenharam um papel fundamental” nas operações aéreas e de vigilância dos Estados Unidos na região, além de representarem um importante centro de apoio aéreo para as forças americanas.

As forças iranianas também afirmaram que os “ataques decisivos, extensos e massivos” realizados tornaram “extremamente custoso e difícil” para Washington interceptar drones e mísseis iranianos, apesar do reforço de seus sistemas de defesa aérea mais avançados.

Além disso, a Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do Irã, anunciou que atacou dois petroleiros que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz sob “escolta aérea” das Forças Armadas dos Estados Unidos. De acordo com a Guarda, as embarcações tentaram atravessar o estreito por “uma rota não declarada”.

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“Os petroleiros que não cumpriram as normas (…) foram atacados e detidos, enquanto outros quatro petroleiros mudaram rapidamente de rumo e retornaram às posições anteriores”, afirmou a Guarda em um comunicado.

O Exército do Kuwait, por sua vez, afirmou ter destruído drones que entraram em seu espaço aéreo na manhã desta sexta-feira, acrescentando que houve danos materiais devido à queda de destroços, mas que não há registro de vítimas.

“Fortaleza de mísseis”

As novas hostilidades ocorrem em resposta a ataques americanos nas proximidades da ilha de Qeshm e da cidade de Abadan, que mataram três membros de uma família na quinta-feira. Além disso, explosões foram ouvidas na província de Fars, na ilha de Kish, na província de Bushehr, na província de Khuzistão e na província de Hormozgan.

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Situada a apenas 22 km da cidade portuária de Bandar Abbas, Qeshm domina o Estreito de Clarence e serve como a principal plataforma para o poder naval “assimétrico” do Irã, segundo analistas. Em entrevista à emissora Al Jazeera, o brigadeiro-general libanês aposentado Hassan Jouni, especialista em assuntos militares e estratégicos, afirmou que a ilha abriga “capacidades iranianas de ataque” dentro do que é descrito como uma “cidade de mísseis” subterrânea. Essas vastas redes, segundo ele, foram projetadas com um propósito principal: controlar efetivamente ou fechar o Estreito de Ormuz.

Além de ser tida como uma fortaleza de mísseis, arsenal que estaria armazenado sob as cavernas de sal labirínticas e as florestas de mangue, a ilha vasta, de 1.445 km², permite que os iranianos dominem fisicamente a entrada do estreito a partir do Golfo, funcionando como uma rolha na rota de trânsito de energia mais vital do mundo.

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Também na quinta-feira, as forças iranianas lançaram ataques contra o Kuwait, que informou que uma pessoa morreu em um bombardeio, e contra a Jordânia, onde o Exército anunciou que suas defesas aéreas derrubaram cinco mísseis procedentes do Irã.

O presidente americano, Donald Trump, havia prometido na quarta-feira atingir “com força” a república islâmica. “Vamos bater neles com força. Eles vão levar uma surra”, disse o presidente, segundo um correspondente da emissora Fox News.

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Novas frentes

Os confrontos desta semana puseram fim a uma pausa nos ataques diretos entre os Estados Unidos e o Irã, que têm oscilado entre ofensivas e negociações nos últimos meses. O conflito, além disso, se estendeu a países até agora relativamente poupados, como o Iraque ou o Egito.

Nesta quinta, o Egito atribuiu a um ataque com drones de origem desconhecida o incêndio de dois navios que carregavam gás natural liquefeito (GNL), um deles americano, no porto de Damieta, no norte do país. Foi a primeira incursão registrada no país desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro.

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+ EUA fazem ataques ‘pesados’ contra o Irã em conflito que transborda para Egito e Iraque

Embora o Irã não tenha assumido oficialmente a responsabilidade, autoridades de segurança iranianas afirmaram ao jornal The Washington Post que o ataque ao Egito visava demonstrar que outros corredores energéticos vitais no Oriente Médio e a região do Canal de Suez estão vulneráveis ​​caso o conflito se amplie.

Rotas alternativas de transporte de petróleo tornaram-se mais relevantes ainda devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passava 20% do abastecimento mundial de combustível antes da guerra. Na quarta-feira, a Guarda Revolucionária afirmou que havia detido três navios petroleiros lá e que mantinha o “controle total” dessa rota marítima.

A tensão no oceano também colocou holofotes sobre o Mar Vermelho, que a Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, passou a usar com maior intensidade desde o início da guerra. Mas os rebeldes hutis, grupo apoiado pelo Irã que controla amplas áreas do Iêmen, anunciaram na semana passada um bloqueio naval aos portos sauditas.

O governo oficial do Iêmen afirmou que o plano dos hutis é estabelecer um sistema de cobrança de taxas para os navios que transitam pelo Estreito de Bab al-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho. A Guarda Revolucionária está “ajudando nesse esforço”, afirmou o ministro da Informação.

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