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Irã ataca base americana e 20 navios no Golfo após bombardeio a petroleiros na ilha de Kharg

Jordânia intercepta 18 de 20 mísseis iranianos lançados contra o país; escalada da violência no Oriente Médio faz preço do petróleo passar de US$ 100

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 set 2026, 08h35 | Atualizado em 9 set 2026, 08h38
Irã ataca base americana e 20 navios no Golfo após bombardeio a petroleiros na ilha de Kharg Priorize VEJA no Google

A Guarda Revolucionária Islâmica, força ideológica do Irã, lançou ataques nesta quarta-feira, 9, contra uma base americana na Jordânia e quase vinte navios no Golfo Pérsico, em retaliação pela perda de cinco petroleiros iranianos em bombardeios dos Estados Unidos na véspera. À medida que a violência voltou a crescer no Oriente Médio, o preço do petróleo voltou a ultrapassar os US$ 100.

“No âmbito da operação destinada a punir o agressor, foram atacadas instalações de manutenção e reparo, áreas de preparação e locais de decolagem dos caças F-35, F-16 e F-15, infligindo danos graves ao inimigo mal-intencionado”, afirmou a guarda, segundo a agência estatal de notícias IRNA.

O Exército da Jordânia informou que interceptou 18 de 20 mísseis iranianos lançados contra o seu território, enquanto outros dois “caíram em áreas desabitadas”.

Algumas horas depois, outro comunicado anunciou um ataque contra dois navios americanos, oito petroleiros e outros 10 navios que tentavam atravessar o estratégico Estreito de Ormuz, segundo a IRNA. A força de elite da república islâmica havia advertido “todos os petroleiros presentes nos portos do Kuwait e do Bahrein, que abrigam terroristas e são cúmplices de suas maldades: abandonem seus navios, porque serão atacados”, segundo a imprensa estatal.

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A UKMTO, agência britânica de monitoramento marítimo, confirmou que “vários navios mercantes no norte do Golfo Árabe e no Golfo de Omã” foram “alvos de fogo, o que os deixou inoperantes, como parte da atividade militar em curso na região”. O órgão também relatou que um navio localizado 44 quilômetros ao noroeste de Port Rashid, nos Emirados Árabes Unidos, estava naufragando.

Escalada das hostilidades

A nova troca de ataques marca um recrudescimento do conflito iniciado em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã. Em abril, chegou a haver um acordo de cessar-fogo — que não interrompeu a troca de agressões na região do Golfo –, substituído depois por um outro pacto, em junho. A pausa também durou poucas semanas.

O agravamento do cenário nas últimas horas fez disparar, nesta quarta-feira, os preços do petróleo. O barril de Brent, referência do mercado mundial, chegou a ser negociado por US$ 100,19 por alguns minutos.

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A ofensiva iraniana aconteceu depois que os Estados Unidos bombardearam cinco petroleiros perto da costa da ilha de Kharg, responsável pela produção de 90% de todas as exportações petrolíferas do Irã. Segundo Washington, foi uma ação em represália por ataques recentes de Teerã contra um navio militar da Marinha americana.

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O Centcom, comando militar responsável pelo Oriente Médio, afirmou em comunicado que ordenou “às tripulações que abandonassem as embarcações” antes dos ataques.

“O Irã continua tentando atacar navios da Marinha dos Estados Unidos, e toda vez que fizer isso ou tentar fazê-lo, perderá petroleiros. Acho que hoje voltarão a ser testemunhas disso”, disparou o secretário de Estado, Marco Rubio, durante uma visita à Colômbia, ao que o comandante do Estado-Maior iraniano, general Ali Abdolahi, respondeu: “Qualquer ataque contra petroleiros iranianos provocará bombardeios das Forças Armadas da república islâmica contra as bases americanas na região.”

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Submarino capturado

A Guarda Revolucionária também anunciou na terça-feira 8 que capturou um submarino americano não tripulado no Estreito de Ormuz, que Teerã mantém bloqueado desde o início da guerra. As forças dos Estados Unidos minimizaram a perda, afirmando que um de seus drones aquáticos de “modelo antigo” sofreu uma pane na região, sem informar se era o mesmo aparelho mencionado pelo Irã.

O Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra, está praticamente paralisado pelo Irã desde o começo do conflito. As negociações pela sua reabertura e para encerrar a guerra permanecem estagnadas, enquanto as duas partes disputam o controle da rota marítima.

Teerã exige agora que os navios obtenham uma autorização para atravessar a hidrovia, ideia rejeitada por Washington e vários países da região. O governo americano, que impõe um bloqueio aos portos iranianos, incluiu na terça-feira todo o setor aéreo iraniano em sua crescente lista de sanções inéditas e ameaça punir qualquer organização que trabalhe com as companhias aéreas da república islâmica.

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