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Irã ameaça reagir a tentativa de confronto dos EUA

'Se nos impuserem, as consequências serão mais duras para eles', diz ministro

Por Da Redação 12 out 2011, 11h34

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Ali Akbar Salehi, advertiu nesta quarta-feira os Estados Unidos para qualquer tentativa de “confronto” com o Irã no caso do complô para matar o embaixador saudita em Washington, Adel al-Jubeir. “Não queremos o enfrentamento, mas se os (Estados Unidos) nos impuserem, as consequências serão mais duras para eles”, declarou Salehi, citado pela agência Isna, após um conselho de ministros.

Entenda o caso

  1. • Os Estados Unidos acusam o Irã de armar um complô para matar o embaixador saudita em Washington, Adel al-Jubeir, em um ataque terrorista.
  2. • Um agente secreto da DEA (agência antidrogas) no México se fez passar por um narcotraficante para participar do atentado, que culminaria na explosão de uma bomba na capital americana.
  3. • Mansor Arbabsiar, um iraniano de 56 anos naturalizado americano, foi preso no dia 29 de setembro ao voltar do México após realizar várias reuniões com esse falso narcotraficante – e teria admitido o plano.
  4. • Outro iraniano suspeito, Gholam Shakuri, membro do grupo de elite militar Al-Qods, que faz parte da Guarda Revolucionária e teria planejado tudo, está foragido.


Os Estados Unidos acusaram na terça-feira o Irã de tentar assassinar o embaixador saudita em Washington, em um complô descoberto graças a um agente americano no México que se fez passar por narcotraficante interessado em efetuar o ataque e entrou contato com os iranianos encarregados da operação. O complô foi “concebido, financiado e dirigido do Irã”, declarou em uma entrevista coletiva à imprensa o procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder.

Teerã rejeitou novamente as acusações, ao lembrar que os Estados Unidos fizeram “muitas acusações idênticas” desde a Revolução Islâmica, de 1979. “Por exemplo, no caso Lockerbie, acusaram de antemão o Irã várias vezes antes de indicar que tinham se equivocado”, disse o ministro em referência ao atentado contra um Boeing da Panam (270 mortos, em dezembro de 1988) organizado pela Líbia e durante muito tempo atribuído ao Irã. Salehi criticou ainda o que chamou de “encenação dramática” das autoridades americanas e da imprensa sobre a revelação do suposto comando iraniano, acusando-o de ter “apresentado as coisas como se tivesse havido uma explosão nuclear”.

Retaliações – A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciou que Washington enviará com seus aliados “uma mensagem forte ao Irã e vai isolar ainda mais o país na comunidade internacional”. A União Europeia (UE), por sua vez, advertiu que, se confirmado o envolvimento da República Islâmica, isso representaria uma grave violação do direito internacional e teria “graves consequências”.

O governo saudita foi mais incisivo e afirmou que “alguém no Irã vai ter que pagar” pelo complô contra o embaixador. “As provas são contundentes e mostram claramente a responsabilidade oficial iraniana”, afirmou o príncipe Turki al Faisal, ex-chefe dos serviços secretos sauditas, que já foi também embaixador nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha.

(Com agências EFE e France-Presse)

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