Irã ameaça países que aderirem à guerra econômica dos EUA: ‘Haverá consequências’
Washington pressiona parceiros de Teerã a adotarem sanções 'sem precedentes'; governo Trump deve anunciar detalhes nesta segunda
O Ministério das Relações Exteriores do Irã advertiu nesta segunda-feira, 24, que os países que aderirem à campanha de “guerra econômica” contra a república islâmica promovida pelos Estados Unidos podem enfrentar “consequências”. O alerta vem um dia após o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, dizer que essa seria “a maior ofensiva financeira jamais organizada contra um adversário”, prometendo dar mais detalhes sobre o “Dia D econômico“.
“As advertências necessárias definitivamente já foram apresentadas, porque qualquer cumplicidade com os Estados Unidos na execução de suas ações agressivas contra o Irã terá, sem dúvida, suas próprias consequências”, afirmou o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, a jornalistas.
No domingo 23, Bessent publicou em sua conta no X (ex-Twitter) que as novas sanções serão impostas depois dos Estados Unidos “desmantelaram as capacidades militares do Irã, destruíram quase 100% de suas fábricas militares e enterraram seu programa nuclear”. Espera-se que ele explique a medida em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira, às 14h de Brasília.
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‘At0 de guerra’
Em resposta, o vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que “a narrativa não se sustenta”: “Vocês dizem que o poder militar do Irã foi ‘desmantelado’, que 100% de suas fábricas militares foram ‘destruídas’ e que o programa nuclear foi ‘enterrado'”, mas se isso exige a mobilização de “todas as instituições e poderes dos Estados Unidos, é uma vitória ou o reconhecimento da derrota?”, questionou.
Já o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, declarou o apoio de qualquer país às novas medidas econômicas dos Estados Unidos será considerado um “ato de guerra”. Ele também afirmou que o regime dará uma resposta “sísmica” ao presidente americano, Donald Trump.
“Se a guerra econômica continuar, nem uma única gota de petróleo será exportada, seja pelo Estreito de Ormuz ou por qualquer outro ponto do Golfo Pérsico. O Irã considerará como um ato de guerra a participação ou o apoio de qualquer país à guerra econômica dos Estados Unidos contra o povo iraniano”, escreveu Rezaei no X.
O Irã enfrenta sanções americanas e internacionais desde a revolução islâmica de 1979. Na semana passada, porém, Trump anunciou que aumentaria a pressão econômica para “uma escala sem precedentes” — Washington pressiona outros governos, em especial a China, que compra quase 90% das exportações iranianas de petróleo, a aderir aos esforços para isolar Teerã ainda mais. Pequim já rejeitou a medida, defendendo diálogo político.
Impasse
Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra no Oriente Médio com uma onda de ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, o que provocou retaliações iranianas em toda a região.
Um cessar-fogo iniciado em 8 de abril encerrou quase 40 dias de bombardeios intensos, mas o abre e fecha do Estreito de Ormuz se tornou um ponto crítico central do conflito. O Irã controla a rota vital para o comércio de combustíveis desde o início da guerra, e o desbloqueio da passagem virou uma prioridade para os Estados Unidos.
Teerã insiste que a via permanecerá fechada até que Washington suspenda o bloqueio sobre os portos iranianos, elimine as sanções petrolíferas e descongele os ativos iranianos no exterior.







