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Irã agradece ajuda do Brasil, mas mantém AIEA como sua principal interlocutora

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não mede esforços para defender o regime dos aiatolás iranianos. Depois de gastar uma audiência com o colega americano, Barack Obama, para pedir uma solução negociada, ele declarou ao mundo que o Brasil se oferecia como mediador para a questão do programa nuclear iraniano e ainda marcou viagem ao Irã, na próxima semana. Apesar de tanto empenho, o embaixador iraniano no Brasil, Shater Zadeh, anunciou nesta sexta-feira que Teerã prefere manter a agência de energia atômica da ONU como sua principal interlocutora.

“São bem-vindas todas as atividades do presidente Lula, mas, no fim, se eles (ocidentais) impõem alguma punição para o Irã, não tem problema, porque essa punição é uma política que já perdeu seu efeito”, disse o embaixador a jornalistas. “Nós nos comunicamos com a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). Se eles têm alguma dificuldade, que se comuniquem com a agência.”

A afirmação foi feita no mesmo dia em que o chanceler Celso Amorim voltou a dizer que o Irã está disposto a alcançar uma solução negociada, e dias depois de o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad declarar, em seu site, que aceitava uma mediação brasileira.

Itamaraty – Em entrevista à agência Reuters, o chanceler Celso Amorim disse que governo brasileiro vê uma “janela de oportunidade e disposição do Irã para alcançar uma solução negociada a respeito de seu programa nuclear”. Ele se reuniu na semana passada em Teerã com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e com outras autoridades do país.

“Acho que existe um espaço. Notei na liderança iraniana uma forma mais pragmática, um interesse em avançar”, afirmou Amorim em entrevista. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visitará o Irã entre os dias 15 e 17 de maio, também buscará uma solução negociada com Teerã, segundo o chanceler.

O Brasil, que apóia o uso da energia nuclear com fins pacíficos pelo Irã, tenta se consolidar como um dos atores que debatem o tema no cenário internacional. As potências ocidentais, entretanto, afirmam que o governo de Mahmoud Ahmadinejad pode tentar ganhar tempo na disputa aceitando a mediação do Brasil.

Ameaça nuclear – Os países do ocidente temem que o Irã esteja desenvolvendo uma arma atômica. E Teerã afirma que o programa nuclear tem fins pacíficos, como a geração de energia.

Celso Amorim disse, nesta sexta-feira, que apesar dos sinais de disposição, o Irã tem que mostrar claramente mais flexibilidade para aceitar uma proposta da Organização das Nações Unidas para a troca de urânio com o objetivo de resolver o prolongado impasse. “O que nós defendemos é que o Irã faça isso de uma maneira aberta, com menos condições”, afirmou Amorim, acrescentando que o tempo está se esgotando. “Esse sinal deveria ser logo. Este mês de maio é fundamental para a gente saber se vai haver uma possibilidade de continuar, ou se cada um tomará seu caminho.”

(Com agência Reuters)