Assine VEJA: informação confiável e exclusiva nas eleições + 4 revistas impressas a partir de R$ 35,90/mês.

Irã acusa EUA de ‘crime de guerra’ por ataque que atingiu casamento e promete resposta

Forças americanas negaram autoria do bombardeio que deixou quatro pessoas mortas e mais de 50 feridas em festa no sul iraniano

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 set 2026, 12h20
Irã acusa EUA de ‘crime de guerra’ por ataque que atingiu casamento e promete resposta Priorizar nos meus resultados Google

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, acusou os Estados Unidos nesta quarta-feira, 2, de “crime de guerra” devido a um bombardeio que atingiu na véspera uma festa de casamento no sul do país, deixando quatro pessoas mortas e mais de 50 feridas.

O ataque ocorreu na noite de terça-feira na cidade costeira de Kuhestak, na província de Hormozgan. Entre as vítimas estavam uma criança de 4 anos, identificada como Amir-Ali Karimi, e um adolescente de 16 anos, Mohammad Mollahi.

Baqaei cobrou posicionamento da comunidade internacional e prometeu retaliação. A ofensiva também levou o principal negociador iraniano nas conversas diretas e indiretas com Washingon, Mohammad Bagher Ghalibaf, a chamar os Estados Unidos de “Satã”.

“Escola de Minab: crianças massacradas. Ginásio de Lamerd: crianças assassinadas. Casamento em Kuhestak: crianças assassinadas ao lado de suas famílias. Se uma potência atua como Satã, escolhe alvos como Satã e mata como Satã, é Satã”, afirmou Ghalibaf em uma publicação no X (ex-Twitter), retomando o termo utilizado pelo governo iraniano e seus simpatizantes desde a revolução islâmica de 1979 para se referir aos Estados Unidos.

Continua após a publicidade

+ Irã anuncia ‘nova estratégia’ de guerra contra os EUA após escalada nos ataques

O Exército americano, no entanto, negou ter atingido o casamento. “As Forças Armadas dos Estados Unidos nunca têm civis como alvo, ao contrário da Guarda Revolucionária (do Irã)“, afirmou o Centcom, comando militar responsável pelo Oriente Médio, à agência de notícias Reuters.

Continua após a publicidade

A casa atingida pelo ataque fica em uma região próxima ao Estreito de Ormuz. Imagens divulgadas após o bombardeio mostram o telhado parcialmente destruído, janelas estilhaçadas e paredes danificadas.

Onda de ataques

A acusação de Baqaei veio após o Irã lançar uma série de ataques com mísseis e drones contra instalações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio nesta quarta, em retaliação à salva de bombardeios da véspera.

Continua após a publicidade

Na Jordânia, o Exército local informou ter detectado 13 mísseis balísticos, dos quais dez foram interceptados e três caíram em áreas remotas. Já no Kuwait, a Guarda Revolucionária Islâmica disse ter atingido a base aérea Ali Al Salem e instalações usadas por um comandante americano.

Teerã também afirmou nesta quarta-feira que dois petroleiros “explodiram e ficaram em chamas” após colidirem com minas navais no Estreito de Ormuz. Segundo a Guarda Revolucionária, o episódio ocorreu depois das embarcações pedirem “ao Exército dos Estados Unidos para transitar por uma rota ilegal”, que não havia sido designada pelas autoridades de Teerã.

A bateria de ataques nesta quarta foi uma retaliação pelos bombardeios que o presidente americano, Donald Trump, ordenara no dia anterior dizendo que eram “completamente justificados” e ameaçando “atacar com muito mais força, em uma escala ainda maior” caso houvesse — como houve — resposta iraniana. Na terça-feira, 1º de setembro, os militares americanos afirmaram ter atingido sistemas de defesa aérea e radares da Guarda Revolucionária Islâmica, além de instalações marítimas, equipamentos para lançamento de minas e centros de comunicação no sul do Irã. 

Continua após a publicidade

Escalada ou negociação

Esta semana viu a maior troca de disparos na guerra no Oriente Médio desde o final de junho, interrompendo de vez a breve pausa nas hostilidades que durou cerca de um mês.

Na terça-feira, porém, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, fez um aceno rumo a uma desescalada. Ele prometeu que Teerã retomaria imediatamente os compromissos para encerrar a guerra caso os Estados Unidos voltem ao protocolo de acordo, assinado em junho, estabelecendo um cessar-fogo e um período de 60 dias para a diplomacia.

“Declaro explicitamente que, se os Estados Unidos retornarem a seus compromissos em virtude do protocolo de acordo (… ), a república islâmica do Irã adotará imediatamente medidas recíprocas”, declarou Pezeshkian, às margens de uma cúpula regional no Quirguistão, onde ele deve se reunir com Vladimir Putin.

Continua após a publicidade

Apesar disso, não há sinal de avanços diplomáticos, por hora.

Em meados de junho, Teerã e Washington assinaram o chamado memorando de entendimento de Islamabad para acabar com os combates, iniciados em 28 de fevereiro com os ataques americanos e israelenses contra o Irã, que provocaram a morte do antigo líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Mas o acordo foi rompido no início de julho, com a retomada das hostilidades e o impasse que envolve o controle do Estreito de Ormuz.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Essencial

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).