Irã acusa EUA de ‘crime de guerra’ por ataque que atingiu casamento e promete resposta
Forças americanas negaram autoria do bombardeio que deixou quatro pessoas mortas e mais de 50 feridas em festa no sul iraniano
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, acusou os Estados Unidos nesta quarta-feira, 2, de “crime de guerra” devido a um bombardeio que atingiu na véspera uma festa de casamento no sul do país, deixando quatro pessoas mortas e mais de 50 feridas.
O ataque ocorreu na noite de terça-feira na cidade costeira de Kuhestak, na província de Hormozgan. Entre as vítimas estavam uma criança de 4 anos, identificada como Amir-Ali Karimi, e um adolescente de 16 anos, Mohammad Mollahi.
Baqaei cobrou posicionamento da comunidade internacional e prometeu retaliação. A ofensiva também levou o principal negociador iraniano nas conversas diretas e indiretas com Washingon, Mohammad Bagher Ghalibaf, a chamar os Estados Unidos de “Satã”.
“Escola de Minab: crianças massacradas. Ginásio de Lamerd: crianças assassinadas. Casamento em Kuhestak: crianças assassinadas ao lado de suas famílias. Se uma potência atua como Satã, escolhe alvos como Satã e mata como Satã, é Satã”, afirmou Ghalibaf em uma publicação no X (ex-Twitter), retomando o termo utilizado pelo governo iraniano e seus simpatizantes desde a revolução islâmica de 1979 para se referir aos Estados Unidos.
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O Exército americano, no entanto, negou ter atingido o casamento. “As Forças Armadas dos Estados Unidos nunca têm civis como alvo, ao contrário da Guarda Revolucionária (do Irã)“, afirmou o Centcom, comando militar responsável pelo Oriente Médio, à agência de notícias Reuters.
A casa atingida pelo ataque fica em uma região próxima ao Estreito de Ormuz. Imagens divulgadas após o bombardeio mostram o telhado parcialmente destruído, janelas estilhaçadas e paredes danificadas.
🚨 🇮🇷 A U.S. attack on a wedding ceremony in Sirik, in southern Iran’s Hormozgan province, killed four people, including a child, the provincial Red Crescent’s managing director said, according to Tasnim. The province’s deputy governor for security earlier reported 50 wounded.… pic.twitter.com/eoHMkD2jJA
— Drop Site (@DropSiteNews) September 1, 2026
Onda de ataques
A acusação de Baqaei veio após o Irã lançar uma série de ataques com mísseis e drones contra instalações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio nesta quarta, em retaliação à salva de bombardeios da véspera.
Na Jordânia, o Exército local informou ter detectado 13 mísseis balísticos, dos quais dez foram interceptados e três caíram em áreas remotas. Já no Kuwait, a Guarda Revolucionária Islâmica disse ter atingido a base aérea Ali Al Salem e instalações usadas por um comandante americano.
Teerã também afirmou nesta quarta-feira que dois petroleiros “explodiram e ficaram em chamas” após colidirem com minas navais no Estreito de Ormuz. Segundo a Guarda Revolucionária, o episódio ocorreu depois das embarcações pedirem “ao Exército dos Estados Unidos para transitar por uma rota ilegal”, que não havia sido designada pelas autoridades de Teerã.
A bateria de ataques nesta quarta foi uma retaliação pelos bombardeios que o presidente americano, Donald Trump, ordenara no dia anterior dizendo que eram “completamente justificados” e ameaçando “atacar com muito mais força, em uma escala ainda maior” caso houvesse — como houve — resposta iraniana. Na terça-feira, 1º de setembro, os militares americanos afirmaram ter atingido sistemas de defesa aérea e radares da Guarda Revolucionária Islâmica, além de instalações marítimas, equipamentos para lançamento de minas e centros de comunicação no sul do Irã.
Escalada ou negociação
Esta semana viu a maior troca de disparos na guerra no Oriente Médio desde o final de junho, interrompendo de vez a breve pausa nas hostilidades que durou cerca de um mês.
Na terça-feira, porém, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, fez um aceno rumo a uma desescalada. Ele prometeu que Teerã retomaria imediatamente os compromissos para encerrar a guerra caso os Estados Unidos voltem ao protocolo de acordo, assinado em junho, estabelecendo um cessar-fogo e um período de 60 dias para a diplomacia.
“Declaro explicitamente que, se os Estados Unidos retornarem a seus compromissos em virtude do protocolo de acordo (… ), a república islâmica do Irã adotará imediatamente medidas recíprocas”, declarou Pezeshkian, às margens de uma cúpula regional no Quirguistão, onde ele deve se reunir com Vladimir Putin.
Apesar disso, não há sinal de avanços diplomáticos, por hora.
Em meados de junho, Teerã e Washington assinaram o chamado memorando de entendimento de Islamabad para acabar com os combates, iniciados em 28 de fevereiro com os ataques americanos e israelenses contra o Irã, que provocaram a morte do antigo líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Mas o acordo foi rompido no início de julho, com a retomada das hostilidades e o impasse que envolve o controle do Estreito de Ormuz.







