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Investigadores buscam eventuais cúmplices de atentado na França

Ataque faz primeiro-ministro francês encurtar visita à América do Sul e retornar à França para encontro com presidente François Hollande

Por Da Redação - 27 jun 2015, 13h26

O suspeito de ter realizado o atentado jihadista na França na sexta-feira (26) continua sendo interrogado neste sábado por investigadores, que tentam encontrar eventuais cúmplices.No atentado contra a fábrica de gás industrial, bandeiras islamitas foram encontradas perto da cabeça decapitada de uma das vítimas. O homem era o responsável por uma empresa de transportes na qual o principal suspeito do crime trabalhava. O atentado de Lyon acontece quase seis meses depois dos ataques à sede da revista satírica Charlie Hebdo e a um mercado judeu em Paris, que causaram comoção ao redor do mundo.

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A principal instância representativa do Islã da França, o Conselho Francês do Culto Muçulmano, condenou o ataque e convocou “a comunidade nacional à vigilância, unidade e solidariedade”. As autoridades francesas estão preocupadas. O primeiro-ministro Manuel Valls encurtou uma visita a América do Sul – estava na Colômbia – para participar na manhã deste sábado de um conselho de ministros com o presidente François Hollande.

“Diante do alto nível de ameaça, o governo seguirá agindo sem pausa nem trégua”, disse ao término da reunião o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve.Este ataque “criou uma tensão forte na sociedade francesa, que será explorada”, disse o primeiro-ministro Valls. “Este ato macabro de decapitação, com preparo, com bandeiras, é algo novo na França”. Para ele, o objetivo do ataque era intimidar.”É muito difícil para uma sociedade viver sob a ameaça de atentados durante vários anos”, acrescentou o primeiro-ministro, advertindo que “a questão não é saber se vai ocorrer um novo atentado, mas quando”.

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, líder da oposição a Hollande, e a chefe da extrema direita Marine Le Pen, pediram medidas rápidas para acabar com a ameça do extremismo islâmico. É a primeira vez que uma vítima é decapitada em um ataque jihadista na França. Até este sábado, o atentado não foi reivindicado, mas sabe-se que o método é utilizado com frequência pelo grupo Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque, onde o grupo proclamou um califado que fará o primeiro aniversário nesta segunda-feira (29). O autor do ataque, Yassin Salhi, nasceu na França, filho de pai argelino e mãe marroquina. Com 35 anos, é casado e pai de três filhos. Sua esposa e irmã também foram detidas.

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Salhi não tinha antecedentes criminais, mas já havia sido investigado e vigiado pelos serviços de inteligência franceses em 2006, por seu vínculo com o movimento salafista, um braço do sunismo radical. Um dos funcionários da fábrica o descreveu como “um lobo em pele de cordeiro”, e acrescentou que o suspeito havia falado com ele sobre o grupo EI. Ele não tentou recrutá-lo, queria “simplesmente perguntar sua opinião”.As circunstâncias exatas do assassinato e a eventual participação de cúmplices ainda têm de ser esclarecidos, segundo a procuradoria francesa.

(Com AFP)

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