Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Investigação sobre assassinatos na França não esclarece dúvidas

Por Por Rémy Bellon
28 mar 2012, 15h17

A investigação sobre as matanças da região de Toulouse (sul da França) ainda não respondeu uma série de questões, como quem enviou o vídeo dos assassinatos a um canal de televisão e se o jihadista Mohamed Merah contou com a ajuda de cúmplices.

– Quem enviou o vídeo dos assassinatos?

Os policiais, apesar de não descartarem possibilidade alguma, acreditam que pode não ter sido Mohamed Merah, que morreu dia 22 de março no ataque das forças especiais a seu apartamento. Ele filmou os assassinatos. Uma montagem de vídeo salva em um pen drive foi enviada pelo correio ao escritório em Paris da rede de notícias Al-Jazeera.

Com o pen drive, havia também uma carta manuscrita com uma reivindicação, “grosseira” segundo fontes policiais, em nome da Al-Qaeda.

Continua após a publicidade

O envelope foi selado na quarta-feira, 21 de março, no centro postal de Castelnau-d’Esrtrefonds, a 20 km de Toulouse, e depositado em uma caixa de correio provavelmente na terça-feira. A investigação “deve e pode demonstrar isso”, segundo as mesmas fontes.

Nenhuma impressão digital foi encontrada no envelope.

O ataque contra o apartamento de Merah durou de quarta-feira, 21 às 03h30, a quinta-feira, 22 às 11h30. Na data de envio, Merah tinha sido identificado e era vigiado. Ele foi visto utilizando um telefone público ao lado de sua casa. A ligação foi feita para o canal de televisão France 24 para reivindicar seus crimes. Não se pode descartar uma lacuna de algumas horas na vigilância, mas, aparentemente, o jihadista não voltou a sair desse lugar.

Continua após a publicidade

– Há riscos de que as imagens tenham sido postadas na internet?

Ao revistar os computadores da família Merah, os investigadores não encontraram indícios de imagens enviadas pela internet. Mas não é impossível que circulem cópias da montagem enviada à Al-Jazeera. O canal propôs na terça-feira que suas cópias, guardadas em um cofre-forte de seu escritório em Paris, sejam entregues a um juiz, como pedem as famílias das vítimas. A formalização do pedido pode acontecer na tarde desta quarta-feira.

Mas essa decisão não diz respeito ao exemplar que o escritório da Al Jazeera na França enviou a seu endereço no Catar.

Continua após a publicidade

– Houve um terceiro homem e cúmplices?

É uma “hipótese a ser considerada”, segundo fontes policiais. “Não é uma rede”, mas sim “mais possivelmente amigos ou conhecidos”, além do suposto apoio a Mohamed Merah por seu irmão Abdelkader, detido desde domingo. Ele é suspeito de ter participado do roubo da moto utilizada para os assassinatos ou de ter feito compras para ele.

Um suposto terceiro homem é alvo de “investigações profundas” e a polícia analisa minuciosamente as relações de Merah, algumas delas “vigiadas”.

Continua após a publicidade

A polícia “tem certeza” de que Merah tinha a intenção de abandonar definitivamente sua casa na noite de terça-feira.

– Houve falhas de vigilância a respeito de Merah?

Merah viajou para o Afeganistão em 2010 e ao Paquistão em 2011 “e não reapareceu em nossos radares nem nos dos serviços de inteligência franceses”, declarou ao Le Monde, no dia 24 de março, o diretor do Serviço de Inteligência Interna (DCRI), Bernard Squarcini.

Continua após a publicidade

A questão de eventuais falhas na vigilância de Merah foi levantada várias vezes por responsáveis políticos de diferentes partidos.

A Comissão Nacional de Controle das Interceptações de Segurança (CNCIS) desmentiu formalmente na terça-feira a ter se oposto à colocar sob escuta a mãe de Mohamed Merah em 2011.

Uma fonte ligada ao caso afirmou nesta quarta-feira que a CNCIS rejeitou a prorrogação das escutas telefônicas de Merah depois de três meses de vigilância, devido à falta de resultados concretos.

Mohamed Merah esteve sob vigilância nesse ano. Esteve também em contato com um oficial dos serviços de inteligência de Toulouse no outono (hemisfério norte) de 2011. Segundo Squarcini, “não tinha nada”, “nenhum ativismo ideológico”.

Enquanto era vigiado pelos serviços, Merah teve uma atitude paranóica. “Não hesitava em chamar a atenção” e ao mesmo tempo “se fechava em sua casa durante três dias” e voltava a sair para “correr nos bairros sem se esconder”.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.