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Inundações nas Filipinas já deixaram mais de 650 mortos

Tempestade tropical Washi descarregou na região de Mindanao quantidade de água em um dia maior do que a média comum para um mês de estação chuvosa

As equipes de resgate procuram neste domingo no mar e nos territórios alagados centenas de desaparecidos após as inundações que afetam o sul das Filipinas, onde o número de mortes chegou a 653. A Cruz Vermelha local contabiliza 808 desaparecidos, 447 em Iligan e 347 em Cagayan de Oro, enquanto que para o Centro Nacional de Prevenção e Resposta aos Desastres o número é de 281. A diferença nos dados se deve a dificuldade de obter informações exatas devido à extensão dos danos causados pela tempestade tropical Washi nas regiões de Mindanao e Visayas.

Há áreas onde as equipes de resgate não começaram a entrar até este domingo e outras zonas onde ainda há casas submersas que ninguém revisou. Uma mulher relatou à rádio local que quando o nível de água começou a subir na sexta-feira ela abraçou-se a uma boia com vizinhos e todos foram arrastados pela correnteza, parando somente em uma praia distante 32 quilômetros dali.

Mais de 80 corpos foram encontrados nas praias das províncias de Misamis Oriental e Lanao del Norte. Até o momento, 252 morreram no povoado de Cagayan de Oro e Iligan. Os demais óbitos ocorreram nas províncias de Bukidnon, Negros, Compostela Valley e Zamboanga del Norte. Cagayan de Oro, com 500.000 habitantes, é a capital de Misamis Oriental, enquanto Iligan, com 318.000, pertence a Lanao del Norte.

O número de desabrigados é de 106.476 pessoas, dos quais 34.911 estão em 30 abrigos, de acordo com o Conselho Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres. O diretor da agência, Benito Ramos, indicou que os desabrigados precisam com urgência de água potável e que depois precisarão de assistência para reconstruir suas vidas. A Cruz Vermelha local calcula que as pessoas que precisam de ajuda alcance 400.000.

Até agora, todos os corpos examinados tiveram como causa da morte afogamento, a exceção de cinco em Compostela Valley, vítimas de um deslizamento de terra. Os mortos eram a família de Rosita de la Peña, de 57 anos, e do mineiro Julio Limactod, incluindo os três filhos do casal, de quatro, seis e 14 anos.

Os corpos se acumulam nas funerárias de Cagayan de Oro, e não podem ser embalsamados porque primeiro é preciso restabelecer o serviço de água. A imprensa local, analistas e parte da população se enredaram em uma batalha dialética com as autoridades sobre de quem foi a culpa pela catástrofe.

Culpa – As autoridades sustentam que a culpa é da população porque não saiu apesar dos alertas oficiais. “Mindanao não é uma área habitual de tufões, e muitos moradores foram surpreendidos sem terem se preparado”, afirmou o presidente da Cruz Vermelha local, Richard Gordon, quem deve viajar para região afetada na segunda-feira.

Entre sexta-feira à tarde e a madrugada de sábado, a tempestade Washi descarregou em Mindanao uma quantidade de água maior do que a média comum para um mês de estação chuvosa. Os especialistas das agências internacionais culpam a favelização como o principal fator do grande número de vítimas causadas no país pelos desastres naturais e que evidenciam o mal estado das infraestruturas.

O incontrolado desmatamento também favorece as enchentes e os deslizamentos de terra que são frequentes durante a estação chuvosa, que no geral começa em maio e se estende até novembro.

Confira em vídeo as imagens das inundações nas Filipinas:

(Com agência EFE)