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Interpol suspende ordens de captura a membros das Farc

A medida foi levantada em razão do início do diálogo de paz com Bogotá

A Interpol confirmou nesta quarta-feira que foram suspensas as ordens de captura dos membros do grupo terrorista Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em razão do início do diálogo de paz com o governo da Colômbia, que terá início amanhã, em Oslo.

Uma fonte interna da Interpol explicou que a iniciativa de suspender as capturas partiu de Bogotá, como é de costume, e que apenas transmitiu a notificação aos 190 países ligados ao órgão. A Interpol não quis informar se a suspensão deve ser cancelada quando as negociações forem concluídas.

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De acordo com negociações prévias entre o grupo guerrilheiro e o governo colombiano, o país devia retirar as ordens de captura para permitir que os negociadores viajassem para Oslo, na Noruega, para participar das reuniões.

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Expectativas colombianas – O líder da equipe negociadora do governo da Colômbia e ex-vice-presidente Humberto de la Calle afirmou que os representantes partiram para Oslo com “otimismo moderado”. “Não queremos criar falsas expectativas, mas acreditamos que existem elementos estruturais que permitem abrigar a esperança na ideia de que voltaremos com boas notícias para a Colômbia”, afirmou, ressaltando que “não haverá desmilitarização nem interrupção das operações das forças de segurança”, como aconteceu em outras tentativas de paz.

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A última tentativa de negociação do governo colombiano com as Farc, durante o governo de Andrés Pastrana, terminou fracassada, em 2002. Na nova tentativa será lançada oficialmente nesta quinta-feira, em Oslo, com a “instalação pública” da mesa de diálogo.

Assista a um vídeo sobre o processo de negociação:

Histórico – O governo e as Farc assumiram o compromisso de instituir este diálogo de paz no dia 26 de agosto em Havana, mediante o chamado “Acordo Geral para o Fim do Conflito e a Construção de uma Paz Estável e Duradoura”.

O acordo, que não inclui um cessar-fogo prévio, foi assinado após seis meses de “conversas exploratórias” e secretas em Cuba, país onde também serão realizadas as negociações depois da abertura do diálogo em Oslo.

Fundada em 1964, durante uma insurreição de camponeses, as Farc, principal guerrilha colombiana, ficou enfraquecida depois da morte de vários de seus chefes. Em mais de uma década, o número de combatentes caiu pela metade, até atingir 9.200, de acordo com as autoridades.

(Com Agência EFE e France Presse)