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Interpol desmancha quadrilha que imitava PF do Brasil em golpes ao redor do mundo

Operação em país da África encontrou réplica de delegacia brasileira usada para enganar milhares de vítimas, semelhante a central de golpes no Camboja

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 jul 2026, 11h38
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A Interpol desmantelou uma rede criminosa transnacional em Essuatíni, antiga Suazilândia, que operava uma réplica perfeita de uma delegacia da Polícia Federal (PF) brasileira para aplicar golpes financeiros ao redor do mundo. A ação fez parte da Operação First Light, coordenada globalmente para combater a engenharia social e a lavagem de dinheiro, e o caso foi divulgado na última quinta-feira 9.

Em Essuatíni, na África Austral, 82 suspeitos foram presos e as autoridades apreenderam 240 aparelhos eletrônicos. No local, uniformes falsos de agentes da PF também foram encontrados, bem como placas corporativas e equipamentos com a identidade visual oficial da instituição brasileira.

Uniformes pretos da Polícia Federal, incluindo calças, camisas com emblemas amarelos e bandeiras do Brasil, bonés e coletes táticos, dispostos no chão de azulejos azuis. Uma placa branca com DIRETORIA-GERAL BRASÍLIA-DF está no canto superior direito. Rádios comunicadores e outros itens estão espalhados na parte inferior da imagem
Uniformes da PF são encontrados em réplica de delegacia em Essuatíni, na África, onde esquema de golpes mirava vítimas no Brasil. – (Interpol/Reprodução)
Equipamentos apreendidos em operação policial, incluindo rádios comunicadores, carregadores, distintivos, insígnias e duas bandeiras do Brasil, dispostos sobre um piso de azulejos azuis e brancos
Distintivos falsos da PF e equipamentos eletrônicos foram apreendidos em réplica de delegacia em Essuatíni, na África, onde esquema de golpes mirava vítimas no Brasil. – (Interpol/Reprodução)
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De acordo com a Interpol, os golpistas realizavam videochamadas com as vítimas simulando um ambiente policial. Eles informavam os alvos de que suas contas estavam sob investigação ou envolvidas em crimes e os convenciam a transferir fundos para supostas “contas seguras de proteção”, roubando o montante logo em seguida. Além de estelionato por falsidade ideológica, a quadrilha gerenciava plataformas de apostas online ilegais e realizava lavagem de dinheiro.

Ações semelhantes da Interpol nos quatro primeiros meses de 2026 também desmantelaram redes criminosas em países como Tailândia, China e Palau. No total, a operação prendeu 5.800 pessoas e congelou U$ 293 milhões em ativos ilícitos em 97 países diferentes. O número de vítimas, segundo a investigação, pode chegar à casa das 142 mil pessoas, espalhadas por todo o mundo.

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Essa não foi a primeira vez que uma falsa delegacia brasileira foi encontrada no exterior para aplicar golpes. O Exército tailandês revelou, em março deste ano, ter descoberto uma central de golpes dentro de um complexo de cassinos em O’Smach, no Camboja, uma área perto da fronteira que foi conquistada pelas forças da Tailândia durante confrontos no ano passado.

Além da réplica da PF, existiam trambém versões que imitavam agências policiais da Austrália, Canadá e Índia, com objetivo de enganar vítimas em seus respectivos países. Segundo o Exército da Tailândia, milhares de pessoas viviam ou trabalhavam no local — muitas seriam vítimas de tráfico humano, forçadas a aplicar golpes sob ameaça de punição.

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Uma sala que imita uma delegacia da PF é mostrada dentro de um centro de golpes abandonado na cidade de O'Smach, na fronteira entre Tailândia e Camboja, em 12 de março de 2026
Uma sala que imita uma delegacia da PF é mostrada dentro de um centro de golpes abandonado na cidade de O’Smach, na fronteira entre Tailândia e Camboja, em 12 de março de 2026 (LILLIAN SUWANRUMPHA/AFP)
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