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‘Intelectual barraqueira’ escancara vida íntima de presidente francês

Fina, intelectual, engajada? VEJA desta semana revela como a mulher do insosso presidente François Hollande mostra seu lado Carminha, briga com a ex dele e se intromete em assuntos políticos. Mas promete se controlar. Poucos acreditam que consiga

Por Da Redação
22 jul 2012, 10h02

Pobre François Hollande. Administrar uma economia na zona disfuncional do euro, com pálido crescimento de 0,3%, dívida pública equivalente a 90% do PIB e o maior desemprego em doze anos não é nada comparado aos problemas familiares que contempla com seus olhinhos caídos. Complicado mesmo para o presidente francês é equilibrar a atual mulher, a ex e os filhos conjuntos, sete no total, todos em estados variados de insatisfação. As relações entre cônjuges presentes e passadas raramente são pacíficas, ainda mais quando a atual é mais nova, mais metida e mais malvada – e a transição amorosa foi iniciada muitos anos antes que a ex ficasse sabendo. Como são todos ardorosos integrantes do Partido Socialista, talvez fosse possível manter uma entente moderadamente pouco cordial se Valérie Trierweiler, a temperamental jornalista de 47 anos que ocupa o coração de Hollande e um gabinete cheio de assessores no Palácio do Eliseu, não resolvesse detonar a ex, Ségolène Royal, com o infame tuíte que abalou Paris. A intervenção foi tão violenta, com uma reação justificadamente tão negativa, que Valérie precisou sair de cena. Reapareceu em público no feriado nacional, o 14 de Julho, vestida com uma capa sem graça e colocada fora do palanque presidencial. Mas sem nenhuma cara de ter cedido a Bastilha. “Agora vou contar até dez antes de usar o Twitter”, tripudiou, sacudindo a cabeleira de leoa.

A ironia da encrenca familiar de Hollande é que ele e seus partidários o colocavam como o total oposto do antecessor derrotado, Nicolas Sarkozy, com seu exibicionismo e sua movimentada vida conjugal (a mulher, Cécilia, o abandonou logo depois da posse e voltou para o amante; um mês depois, a ex-modelo Carla Bruni entrou em sua vida com estrépito global). A própria Valérie semeou entrevistas em que se punha no papel de politicamente engajada e intelectualmente refinada em comparação com Carla. Na verdade, a vida amorosa do sem dúvida discreto Hollande sempre teve complicações maiores. Durante trinta anos, ele compartilhou a estrada com Ségolène Royal. Como ele, Ségolène era uma política de pouca expressão até resolver tentar a Presidência. Na disputa interna do partido, venceu o próprio Hollande, que teve dificuldade para deglutir a derrota. Em compensação, já podia se sentir vingado. Havia anos mantinha o caso com Valérie, ela também casada, com três filhos. Logo após a derrota de Ségolène para Sarkozy, a separação foi oficializada.

Era, portanto, a traída e abandonada que teria direito a curtir mágoa eterna, mas os caminhos do coração são tortuosos. Com a vitória de Hollande, Ségolène se reaproximou do ex e estava até esperando ser a futura presidente do Congresso francês. Bastava só ser reeleita deputada, como acontecia fazia décadas. Na cidade dela, porém, o partido estava rachado e Hollande manifestou o “apoio presidencial” à ex-mulher. Enciumada, Valérie foi ao Twitter e defendeu o adversário de Ségolène. Ela perdeu, como aconteceria de qualquer maneira, e o mundo político francês tremeu. Como qualquer cônjuge de político, Valérie tem direito a falar tudo o que acha dentro de casa (alguém imagina que o marido da primeira-ministra Angela Merkel não tenha uma opinião ou duas sobre o papel da Alemanha na crise grega?). Mas interferir no jogo político com base apenas em sua vantajosa posição conjugal é uma afronta às regras da democracia. Ségolène declarou-se mortificada e, depois, o filho mais velho dela com Hollande, Thomas, disse que nem ele nem os irmãos estavam mais falando com Valérie. “Eu sabia que alguma coisa viria dela algum dia, mas não um golpe tão violento. Foi uma loucura”, fuzilou.

Hollande viu-se, assim, em cima de um vulcão familiar. Recolhida ao silêncio obsequioso, Valérie lançou um livro, já planejado, de fotos sobre a campanha do marido. Número de fotografias em que ela própria aparece: cinquenta. Referência a Ségolène: “Sim. O homem que amo teve outra mulher antes de mim”. A “outra”, claro, é a mãe dos quatro filhos de Hollande. “Ela agiu por ciúme e, como é inteligente, viu que errou. Como primeira-dama, ela não tem legitimidade para interferir em política”, disse a VEJA o especialista em comunicação política Arnaud Mercier, da Universidade de Lorraine. “Os assuntos privados têm de ser resolvidos em particular”, suspirou Hollande. Só falta convencer disso suas mulheres. Uma das quais apelidada de Rottweiler.

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