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Instabilidade política já dura quarenta anos

Diplomata cita rivalidade interna como um dos motivos para as crises políticas

A instabilidade política no Equador é histórica. O protesto dos policiais que espalhou o caos por pelo menos três cidades do país é apenas o mais recente dos episódios de uma sequência iniciada há quarenta anos. “Pouquíssimos presidentes completaram o seu mandato neste período”, observa José Augusto Guilhon de Albuquerque, fundador do Departamento de Ciência Política e do Núcleo de Relações Internacionais da USP.

De fato, desde 1972 quatro presidentes equatorianos foram obrigados a deixar o poder. Naquele ano, um golpe derrubou o regime de José María Velasco Ibarra, eleito democraticamente. O país só voltou à democracia sete anos depois. Em 1997, mais um presidente foi deposto. O Congresso tirou Abdalá Bucaram do poder sob alegação de incapacidade mental. O golpe de estado de 2000 destituiu Jamil Mahuad. Lúcio Gutiérrez, um dos membros da junta militar que o tirou do poder, assumiu a Presidência em 2003. Dois anos depois, Gutiérrez deixou o cargo por falta de apoio das Forças Armadas.

Para o ex-embaixador do Brasil nos EUA Rubens Barbosa, um dos motivos da instabilidade histórica no país é a divisão interna. “A região em que se encontra a cidade de Guayaquil é mais rica, ao contrário dos arredores de Quito, a capital, o que provoca uma rivalidade interna imensa”, diz. “Há também a questão indígena e as tendências bolivarianas que acentuam a disputa”.

Barbosa acredita que a situação no Equador deve continuar instável mesmo após o fim do protesto de policiais contra medidas do governo. “Como o presidente Rafael Correa tem o apoio das Forças Armadas, nenhuma ação mais crítica deve ocorrer em breve”, explica ele.