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Inquérito conclui que britânica morreu por influência de redes sociais

Morte de jovem de 14 anos no Reino Unido abriu amplo debate sobre facilidade de acesso a conteúdos indevidos na internet

Por Da Redação
30 set 2022, 18h42

A estudante britânica Molly Russell, de 14 anos, foi morta por “um ato de automutilação enquanto sofria de depressão e efeitos negativos do conteúdo online”, concluiu um inquérito apresentado no Reino Unido nesta sexta-feira, 30. A jovem tirou a própria vida após ter visto centenas de conteúdos sobre automutilação e suicídio em plataformas online em novembro de 2017.

Na conclusão do inquérito, que teve ampla repercussão na mídia britânica e abriu um debate sobre adolescentes e internet, o legista Andrew Walker disse que não achava seguro dizer que o suicídio foi a causa da morte, mas sim os “efeitos negativos do conteúdo online” que não deveriam estar disponíveis para uma criança ver. 

“Molly estava em um período de transição em sua jovem vida que dificultou certos elementos de comunicação. Ela foi exposta a material que pode tê-la influenciado de forma negativa e, além disso, o que começou como uma depressão tornou-se uma doença depressiva mais grave”, disse ele. 

O legista afirma ainda que os conteúdos vistos por Russell antes de sua morte romantizavam atos de automutilação e normalizavam sua condição, fazendo com que ela se concentrasse em uma visão limitada e irracional sem qualquer contrapeso com a realidade. 

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O executivo sênior do Pinterest, Judson Hoffman, foi obrigado a comparecer ao inquérito e pediu desculpas por parte do conteúdo visto pela adolescente que, segundo ele, não era seguro em 2017. Ele afirmou ainda que a empresa agora utiliza de uma inteligência artificial para filtrar esse tipo de temática.

A chefe de políticas de saúde e bem-estar da Meta (proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp), Elizabeth Langone, também foi obrigada a estar presente. A executiva, no entanto, disse ao legista que parte do conteúdo visto por Molly era seguro, o que causou discussões com a família da vítima. 

Walker concluiu dizendo que os algoritmos resultaram em “períodos de farra de imagens, videoclipes e texto, alguns dos quais foram selecionados e fornecidos sem que Molly os solicitasse”. O legista também ouviu evidências da família da adolescente, professores e um psiquiatra infantil, que disse ter tido problemas para dormir após ter assistido o conteúdo. 

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Após a conclusão do inquérito, o pai da jovem, Ian Russell, pediu por mudanças urgentes para tornar as crianças mais seguras online.

“É hora de proteger nossos jovens inocentes, em vez de permitir que as plataformas de mídia social priorizem seus lucros monetizando a miséria das crianças”, disse.

O fechamento do caso ocorre durante os estágios finais do projeto de Lei de Segurança Online do Reino Unido, que deve retornar ao Parlamento nas próximas semanas para votação. Se aprovado, ele irá impor um dever de cuidado às empresas de tecnologia para proteger seus usuários de conteúdo nocivo ou enfrentar multas.

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