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Indonésia inicia luta contra pornografia

Paula Regueira Leal.

Jacarta, 24 mar (EFE).- A Indonésia, um dos dez países onde mais se busca a palavra ‘sexo’ na internet, criou um organismo especial para cumprir com todo rigor a lei contra a pornografia.

Com a lei, a justiça indonésia obrigou a revista ‘Playboy’ a fechar sua edição local após pôr em circulação o sexto número sem que fosse publicada uma só foto de nudez.

O presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, enfatizou que a lei é para ser cumprida e, na semana passada, anunciou a formação deste organismo, que conta com uma equipe especial para apurar a publicação impressa ou virtual de textos e imagens e investigar denúncias sobre comportamentos supostamente obscenos.

Em breve, em cada uma das 33 províncias da Indonésia haverá um escritório deste organismo, que fará cumprir a legislação aprovada em 2008 e estabelece penas de até 15 anos de prisão e multas de US$ 218 mil.

A porta-voz da Coalizão de Mulheres Indonésias, Dian Kartika, disse na última quarta-feira à Agência Efe que ‘não é plausível este corpo especial trabalhar para implementar uma lei que muitos grupos criticam por não ser específica e ter múltiplas interpretações’.

Dian assinalou que o país ‘tem preocupações mais importantes a atender, como a corrupção e o aumento nos preços de combustível’.

Importantes funcionários de departamentos da Administração do Estado e também alguns ministros do governo farão parte do grupo que assessorará o organismo, indicou a porta-voz em declarações à imprensa local.

Na semana passada, em uma evidente demonstração da suposta necessidade de contar com esta medida especial contra a pornografia, a polícia anunciou a detenção de uma mulher e três homens que filmavam cenas de sexo com uma câmera de telefone celular.

Esta iniciativa gerou uma onda de críticas a Yudhoyono por parte de grupos da oposição e de cidadãos, que consideram que o chefe de Estado está equivocado em suas prioridades e que o que pretende conseguir com esta ação é desviar a atenção de outros problemas mais urgentes.

Na opinião da deputada do Partido da Luta Democrática Indonésia, Eva Kusuma Sundari, além de desnecessário e ‘não ter objetivos de atuação claros’, o organismo especial foi criado pelo governo para atrair a simpatia dos setores muçulmanos mais conservadores, depois do mal-estar gerado na população pelo anúncio do aumento no preço dos combustíveis a partir de abril.

Com 240 milhões de habitantes, 85% deles islâmicos, a Indonésia é o país muçulmano mais populoso do mundo.

A última enquete realizada pela Google sobre os hábitos dos internautas colocou os indonésios na sexta posição da lista dos que mais fazem buscas de conteúdos relacionados ao sexo.

Esta medida é outro exemplo de que no país há uma sociedade muçulmana moderada que tolera a pornografia, ainda que passível de punição, mesmo defendendo que deva ser perseguida por ser imoral.

Para Habib Umar Salim, chefe do conselho assessor da Frente de Defensores do Islã, grupo que promove a implantação da lei em todo o território indonésio, ‘a pornografia que destrói a moral é tudo o que envolve cenas de beijos, atores com pouca roupa e mulheres com saia acima do joelho’. EFE