Indiciado por homicídio nos EUA, Raúl Castro reaparece em público pela 1ª vez em meses
Ex-presidente cubano comparece à festa do centenário de seu irmão, Fidel, em meio a especulações sobre possível intervenção militar
O ex-presidente cubano Raúl Castro, de 95 anos, que não era visto em público há vários meses, reapareceu, nesta quinta-feira, 13, em um ato em Havana por ocasião do centenário de nascimento de seu irmão, Fidel Castro.
Vestido com seu uniforme verde-oliva, Raúl foi ovacionado ao entrar no Teatro Karl Marx de Havana, sede do ato, segundo jornalistas da AFP.
A última vez que Raúl Castro foi visto em público foi em 5 de junho, em uma celebração do Ministério do Interior em Havana. A ocasião marcou sua primeira aparição desde que ele foi indiciado por homicídio nos Estados Unidos, no mês anterior.
Aviões abatidos
O indiciamento, apresentado em um tribunal federal em Miami em 23 de abril, acusa Castro de conspiração para matar cidadãos americanos, quatro assassinatos e destruição de aeronaves. Outras cinco pessoas também são rés no caso, que remonta ao abate fatal de aviões operados pelo grupo humanitário Hermanos al Rescate (irmãos ao resgate, na tradução livre), em 1996, de acordo com o procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche. Em fevereiro daquele ano, caças MiG-29 da Força Aérea de Cuba derrubaram duas aeronaves desarmadas, pertencentes ao grupo fundado por exilados cubanos, em espaço aéreo internacional, resultando na morte de quatro pilotos.
Na época, o governo cubano argumentou que o ataque foi uma resposta legítima à invasão do espaço aéreo do país. Fidel Castro disse que seus militares agiram sob “ordens permanentes” para abater aviões que violassem os céus de cuba — e garantiu que o irmão Raúl, então ministro da Defesa, não deu uma ordem específica para atirar. No entanto, além dos Estados Unidos, a Organização da Aviação Civil Internacional concluiu posteriormente que o abate ocorreu em águas internacionais.
Pressão do governo Trump
A ação judicial se insere em um contexto de escalada de pressões do governo Donald Trump contra a ilha, cujo regime comunista o presidente americano gostaria de ver substituído por um mais maleável. Washington efetivamente impôs um bloqueio à ilha caribenha ao ameaçar com sanções países que exportam combustível para lá. A medida provocou apagões generalizados e prejudicou ainda mais sua frágil economia, levando os cubanos às ruas.
Desde o indiciamento, começaram especulações de que as forças americanas poderiam realizar uma operação militar de extração contra Castro, da mesma forma que fizeram contra Nicolás Maduro, na Venezuela, em janeiro.
Importante figura na revolução cubana, Raúl ajudou a derrotar a invasão americana da Baía dos Porcos, em 1961, e serviu como ministro da Defesa por décadas. Sucedeu seu irmão como presidente em 2008 e deixou o cargo oito anos atrás. Embora o presidente atual seja Miguel Díaz-Canel, o irmão de Fidel permanece uma figura poderosa nos bastidores da política cubana.
Em junho, a Presidência de Cuba informou, em sua conta no X, que o ex-presidente tinha dado seu aval a um pacote de reformas econômicas para fazer frente à crise econômica na ilha, sob forte pressão de Washington.
Ele raramente aparece em público.
Antes da acusação, a última vez que ele foi capturado por câmeras foi nas festividades de 1º de maio, Dia Internacional do Trabalho, em Havana. Anteriormente, ele não era visto desde 15 de janeiro, quando participou de uma cerimônia pública na capital para prestar homenagem aos 32 soldados cubanos mortos durante a captura de Maduro.







