Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Indicado para ‘presidente de transição’ recusa posto na Guiné-Bissau

Por AFP/Arquivo 21 abr 2012, 16h50

Manuel Serifo Nhamadjo, designado presidente da República de transição na Guiné-Bissau após um golpe de Estado, anunciou neste sábado que havia recusado esta nomeação, considerando que estava fora da legalidade.

“Não aceito esta nomeação. Sou um defensor da legalidade e não reconheço nenhuma instituição criada fora da legalidade”, declarou à AFP, contatado por telefone no Parlamento de Bissau, do qual era o presidente interino até o golpe de Estado de 12 de abril.

Classificado em terceiro lugar no primeiro turno da eleição presidencial de 18 de março com 15,75% dos votos, Nhamadjo, um dissidente do partido no poder, havia sido designado na quinta-feira presidente da República de transição, segundo os termos de um comunicado assinado conjuntamente pelo comando militar (junta) e os principais partidos da antiga oposição ao regime derrubado.

Neste sábado, a junta militar afirmou que esta nomeação, assim como a do presidente do Conselho Nacional de Transição, é apenas uma “proposta”, em uma brusca reviravolta coincidindo com a ameaça do Conselho de Segurança da ONU de sancionar os golpistas e seus partidários.

“Em todo caso, se for uma proposta, ela foi por terra”, disse Nhamadjo, que havia garantido na sexta-feira não ter sido consultado, nem informado de sua nomeação.

Ele também declarou que vai “reassumir a presidência do Parlamento para encontrar uma solução para a volta à normalidade constitucional”.

“O que eu fiz foi ouvir as diferentes partes, ouvir as propostas. O problema deve ser resolvido”, acrescentou.

Perguntado sobre o possível restabelecimento do governo derrubado, como exige o Conselho de Segurança, Nhamadjo considerou que é preciso “antes restabelecer o Parlamento”.

Os golpistas ainda mantêm detidos o presidente Raimundo Pereira e o primeiro-ministro Carlos Gomes Junior, presos no dia do golpe de Estado, a pouco mais de duas semanas do segundo turno da eleição presidencial, para a qual o chefe de governo era amplo favorito.

Continua após a publicidade
Publicidade