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Incêndios misteriosos amedrontam moradores de Berlim

Às vésperas das eleições municipais na Alemanha, capital acumula perto de 500 veículos queimados este ano. Especialistas vêem relação com Londres

Por Luciana Rangel, de Berlim 29 ago 2011, 17h22

O prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, em campanha pela reeleição no pleito de 18 de setembro, admite não ter solução para os incêndios em série. “Não temos como vigiar a cidade inteira”

Às vésperas das eleições para prefeito, a disputa eleitoral em Berlim perdeu o destaque. Nas últimas semanas, o costume – necessário – entre os berlinenses é buscar informação, na internet, no rádio e na TV, sobre os carros incendiados na noite anterior. O problema que começou como um protesto criminoso isolado evoluiu para uma incômoda rotina. Desde o começo do ano mais de 500 carros já foram queimados na cidade. A situação se agravou há cerca 15 dias, e especialistas acreditam que a intensidade dos ataques foi influenciada pela ação de vândalos na Inglaterra.

A chefe de polícia de Berlim, Margarete Koppers, acredita que os carros incendiados nesta nova etapa sejam um ato simbólico. “Até 2009, o crime era atribuído a ativistas de extrema esquerda que protestavam contra a especulação imobiliária. E eram queimados carros de luxo de fábricas geralmente alemãs, como Mercedes-Benz, Volkswagen e BMW. Os criminosos atuais continuam atacando em sua maioria carros alemães, mas a política parece não ser mais o motivo. Nos últimos dias, os carros queimados não são de luxo e a maioria dos ataques ocorreu em vários bairros da cidade, desde os de classe operária até os de classe média alta”, afirma Margarete.

O mapa dos ataques das últimas semanas: suspeita de terrorismo, por enquanto, não se confirmou
O mapa dos ataques das últimas semanas: suspeita de terrorismo, por enquanto, não se confirmou VEJA

Entre os políticos, há os que atribuem a destruição a terroristas. Este é, por exemplo, o diagnóstico de Wolfgang Bosbach, da União Democrática Crista (CDU). A Fração do exercito Vermelho, RAF, mais conhecida como Grupo Baader-Meinhof – organização guerrilheira alemã de extrema-esquerda, que coordenou ataques de extrema violência em 1970 – também começou suas ações com incêndios.

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A administração da cidade oferece recompensa de 5 mil euros (cerca de 11.500 reais) para quem der informações que contribuam com a identificação ou prisão dos criminosos. O incêndio de carros também chegou a outras cidades. Na semana passada, automóveis foram queimados em Dusseldorf, Hamburgo, Chemnitz, Colônia, Munique e Marburg.

Bombeiros tentam apagar incêndio em um dos carros atacados na capital alemã
Bombeiros tentam apagar incêndio em um dos carros atacados na capital alemã VEJA

Paralelamente aos incêndios de carros, bombas de pequeno porte explodiram na última semana deixando feridos, e carrinhos de bebê vêm sendo incendiados desde o fim do ano passado – ao todo, 50 casos foram registrados. Nesses ataques, já houve três mortes: as de um casal e um bebês. Berlim tem inúmeros prédios residenciais sem elevador. Quem vive na cidade e tem crianças pequenas costuma deixar o carrinho no térreo, na entrada do prédio.

A queima de veículos durante a noite não chega a ser uma novidade na cidade. De 2007 a 2010, 633 carros foram incendiados. Mas, na onda atual de incêndios, a motivação permanece incógnita por um detalhe: não há presos. O prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, em campanha pela reeleição no pleito de 18 de setembro, admite não ter solução para os incêndios em série. “Não temos como vigiar a cidade inteira”, disse o prefeito, em relação à ação policial.

Mesmo com o elevado número de policiais para o patrulhamento noturno e investigação, cerca de 250, incluindo oficiais vestidos à paisana, mais o apoio de 150 policiais federais e helicópteros, o vandalismo não deu trégua. ‘Matéria prima’ para o banditismo não falta: a maioria dos 1,2 milhões carros registrados na cidade pernoita na rua, pois grande parte dos prédio de Berlim não tem garagem.

Wowereit também convocou os berlinenses a ficar atentos. O apelo do prefeito surtiu algum efeito na última sexta-feira, mas ainda sem prisões: por volta das 23h, no bairro de Kreuzberg, um morador vigilante viu um suspeito se encaminhar para um estacionamento. Logo depois um Mercedes pegou fogo. A testemunha, acompanhada de outros moradores, conseguiu apagar o fogo, mas não conseguiu pegar o criminoso.

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