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Imóvel ocupado por colonos judeus é evacuado em Hebron

Netanyahu justificou a medida pela necessidade de 'preservar a ordem pública'

Uma casa ocupada por colonos judeus na parte antiga de Hebron foi evacuada nesta quarta-feira por forças israelenses. Depois de receber duras críticas de aliados do governo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, justificou a medida pela necessidade de preservar a ordem pública e o respeito à lei. “O princípio que me guia é o fortalecimento da presença judia em Hebron, a cidade dos Patriarcas, mas há um princípio que devemos proteger: o de fazer tudo de forma legal, e assim continuaremos”, declarou Netanyahu em comunicado de seu escritório.

Ocupado há duas semanas por um grupo de colonos que garante ter comprado dos legítimos donos palestinos, o despejo ocorreu nesta tarde à força depois do fracasso das negociações para saída voluntária. A casa abandonada fica no centro de Hebron. O caso chegou a provocar uma pequena crise no governo israelense entre os que exigiam a remoção da família invasora, entre eles o ministro da Defesa, Ehud Barak, e os que sustentavam que a propriedade era legítima, liderados pelo ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman.

Assentamentos judaicos: grande obstáculo para um acordo de paz

A disputa começou depois dos donos originais negarem ter vendido a propriedade. Eles afirmaram que os colonos ocuparam sua propriedade com documentação falsa. O Exército israelense recebeu a ordem de evacuar o imóvel na tarde desta segunda-feira depois de duas semanas de indefinição. Neste período, a direita nacionalista exigiu de Netanyahu o fim da autoridade do titular da Defesa sobre a colonização no território da Cisjordânia – para eles, Ehud Barak atua contra os colonos. Os invasores acusaram Netanyahu de mentiroso, Isso porque, de acordo com os site do jornal Yedioth Ahronothos, colonos garantem ter obtido de seus assessores a garantia de que não haveria a evacuação.

“Ehud Barak atua contra o governo e contra os assentamentos em Judeia e Samaria (nomes bíblicos da Cisjordânia, território ocupado por Israel em 1967), só o que ele fez é estimular o conflito”, declarou o ministro de Assuntos Estratégicos, Moshe Yaalon, conforme o jornal Ha’aretz. Yaalon chegou a pedir para verificar os documentos dos colonos antes da evacuação. Para justificar a operação, Barak argumentou que o procedimento levaria semanas.

Na cidade dividida de Hebron vivem entre 500 e 600 colonos judeus fortemente protegidos pelo Exército israelense e mais de 150.000 palestinos. Embora a parte judia esteja sob custódia militar, a operação foi feita por agentes de uma unidade especial da polícia. Os agentes tiveram de fazer uso da força para retirar colonos da casa.

Ultimato – Também nesta quarta-feira, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, disse que enviará um ultimato a Netanyahu com a intenção de retomar as negociações de paz estagnadas desde setembro de 2010. “A carta está preparada e já foi pedido formalmente para que Netanyahu receba uma alta delegação palestina, que não contaria com a presença de Abbas, para poder receber esse ‘ultimato'”, confirmou uma fonte palestina que pediu para não ser identificada.

Abbas pede respostas de Netanyahu em quatro pontos: 1) se Israel apoia a solução de dois estados amparado nas fronteiras de 1967; 2) se o país está disposto a pôr fim na ampliação das colônias em território palestino; 3) se cumprirá o compromisso de libertar os presos; 4) e se pode se comprometer em reverter todas as ações contra a ANP tomadas desde o ano 2000. “Caso Netanyahu não atender essas exigências, a ANP será obrigada a fazer com que Israel assuma as responsabilidades que a legislação internacional exige à potência ocupante, como fornecer serviços à população ocupada”, explicou a fonte.

Segundo o jornal Ha’aretz, Netanyahu também tem intenção de enviar uma carta para Abbas com o propósito de retomar as negociações de paz, mas sem pré-condições. Nela, o chefe do governo israelense mostrará sua disposição em discutir os principais assuntos deste impasse (fronteiras, segurança, refugiados, água, assentamentos e Jerusalém) e também insistirá em pedir aos palestinos o reconhecimento de Israel como lar nacional do povo judeu.

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(Com agência EFE)