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Tunísia autoriza ingresso de imigrantes depois de 21 dias em alto-mar

Prejuízo do petroleiro por ter sido bloqueado no porto de Zarzis pelas autoridades tunisianas supera 152.000 dólares

Por Da Redação - Atualizado em 1 ago 2018, 14h17 - Publicado em 1 ago 2018, 14h14

Os 40 imigrantes resgatados a bordo do navio petroleiro Sarost 5 serão transferidos hoje (1) para um centro de acolhimento da ONG Crescente Vermelho na Tunísia. A embarcação ficou parada em frente ao porto de Zarzis, ao sul do país, por 21 dias à espera de uma autorização para atracar.

Situado na cidade de Medenine, a 60 quilômetros de Zarzis, o centro de acolhimento será responsável pelas despesas de manutenção e alojamento dos imigrantes durante os dois próximos meses. Também prestará assistência jurídica aos migrantes, que serão informados das diferentes opções que dispõem: o retorno voluntário ao país de origem, o pedido de refúgio e a possibilidade de permanecer na Tunísia para trabalhar.

No último sábado, o primeiro-ministro tunisiano, Youssef Chahed, anunciou a aceitação do navio “por razões humanitárias”, embora a tripulação tenha declarado que foi informada da decisão “pela televisão”, não por uma comunicação oficial.

O Crescente Vermelho saudou a medida, mas afirmou que a decisão foi “tardia” e que o governo manchou a imagem do país. Lembrou também que durante as três semanas em que o barco ficou em alto-mar, a organização pediu permissão em várias ocasiõe, para desembarcar urgentemente duas mulheres grávidas e uma pessoa que sofre de uma hérnia de hiato, sem sucesso.

A estimativa das perdas econômicas durante os 16 dias que o navio permaneceu bloqueado pelas autoridades tunisianas supera os 152.000 dólares, de acordo com os números fornecidos por uma fonte da multinacional Shell, responsável pelo petróleo da Tunísia.

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No dia 14 de julho, a plataforma marítima petrolífera Miskar, da companhia British Gas, localizou em águas internacionais uma embarcação à deriva que tinha partido do litoral da Líbia para tentar atravessar o Mediterrâneo.

A embarcação de abastecimento Sarost 5 fez o resgate e partiu para o porto da cidade tunisiana de Sfax, sendo encaminhado, posteriormente, para as proximidades de Zarzis até que pudesse atracar.

Os resgatados têm entre 17 e 36 anos e são originários de Egito, Bangladesh, Camarões, Senegal, Guiné, Costa do Marfim, Serra Leoa e Ambazônia (região independentista de Camarões).

Segundo várias ONGs locais, que fizeram um apelo para que o governo tunisiano acolhesse o navio, a Tunísia estava relutante em aceitar o pedido pois não quer se transformar em um “porto seguro”, uma vez que isso criaria um precedente e poderia consolidar a iniciativa europeia de estabelecer “plataformas regionais de desembarque” fora do continente europeu para fazer o cadastro e triagem dos imigrantes.

(Com EFE)

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