Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

‘Ilhas Malvinas estão vulneráreis a novo ataque argentino’

Ex-chefes da Marinha britânica criticam decisão do governo de aposentar caças

Militares consideram decisão do governo “estratégica e financeiramente perversa”

Ex-chefes da Marinha britânica criticaram nesta quarta-feira a decisão do governo de aposentar caças como o porta-aviões HSM Ark Royal. Para eles, a retirada dessas embarcações deixaria as ilhas Malvinas, no Atlântico Sul, “vulneráveis” a um novo ataque argentino. Em carta publicada pelo jornal britânico The Times, os ex-chefes militares, entre eles West of Spithead e Julian Oswald, pediram ao primeiro-ministro, David Cameron, que volte atrás nessa e em outras decisões tomadas com o intuito de economizar recursos.

“Acreditamos que o primeiro-ministro foi mal aconselhado sobre aposentar os (caças) Harrier e o HSM Ark Royal, o que restringe a dependência inteiramente ao (avião de combate) Tornado”, justificaram os militares, que classificam essa decisão de “estratégica e financeiramente perversa”. Segundo eles, manter o Tornado no lugar do Harrier (de decolagem vertical) custará sete vezes mais em manutenção durante os dez próximos anos. Por isso, a troca deveria “ser anulada antes que seja tarde demais”.

A revisão da defesa estratégica e de segurança do governo britânico prevê a aposentadoria da frota de 80 Harrier – o único caça britânico capaz de decolar e aterrissar em porta-aviões – assim como do Ark Royal e de outros navios da Marinha. Os signatários da carta contrários à medida acreditam que essa decisão pode colocar em perigo as vidas de muitos britânicos.

Acervo Digital VEJA: Malvinas, a guerra entre Argentina e Grã-Bretanha

Petróleo – Considerando-se a revalorização das Malvinas, com a descoberta de suas jazidas petrolíferas, o governo britânico estaria praticamente convidando a Argentina nos próximos dez anos a “infligir-nos uma humilhação nacional de escala da perda de Cingapura, da qual o prestígio britânico e do governo talvez não possam nunca se recuperar”, diz a carta.

O ministro da Defesa, Liam Fox, defendeu a decisão do governo e garantiu que as Malvinas seguirão bem protegidas. A Grã-Bretanha tem no arquipélago quatro caças Typhoon, além de uma pequena unidade de marinheiros. Acredita-se que haja ainda um submarino na região.

“Não é certo que a aposentadoria dos Harrier afete negativamente a nossa capacidade de defesa dos territórios do Atlântico Sul”, disse Fox. “Mantemos um amplo leque de ativos, entre estes um aeroporto para garantir a defesa das Malvinas. Temos maior presença do que antes e podemos responder a qualquer ameaça”, acrescentou. O Ark Royal iniciou nesta terça-feira sua viagem de despedida, e um Harrier decolará pela última vez nos próximos dias.

Conflito – As Ilhas Malvinas (ou Falklands, em inglês) são territórios britânicos que a Argentina tentou tomar em 1982, dando início a uma guerra entre os dois países, que terminou com a morte de 649 argentinos e 255 britânicos. De tempos em tempos, a região volta a ser motivo de tensão entre os dois países, distantes 13.000 quilômetros pelo mar.

(Com agência EFE)