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Igreja não deve temer mudança, diz papa ao fim do sínodo

Francisco também comandou uma missa que marcou beatificação de Paulo VI

Por Da Redação 19 out 2014, 10h58

O papa Francisco encerrou neste domingo uma assembleia de bispos católicos que revelou profundas divisões sobre como tratar os homossexuais e as pessoas divorciadas. Apesar das opiniões conflitantes no Vaticano, ele disse que a Igreja Católica não deve temer mudanças e novos desafios. Franscisco, que já disse querer uma Igreja mais misericordiosa e menos rígida, fez um um sermão para cerca de 70.000 pessoas na Praça de São Pedro, no cerimonial de encerramento do sínodo dos bispos, que durou duas semanas. “Deus não teme coisas novas. É por isso que ele está continuamente nos surpreendendo, abrindo nossos corações e nos guiando em caminhos inesperados”, disse o papa em seu sermão. O papa emérito Bento XVI participou da missa.

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As sessões do encontro terminaram na noite de sábado com um documento final que reverteu a aceitação histórica dos gays pela Igreja, um resultado visto por alguns especialistas como um retrocesso para o papa Francisco. Na missa, ele beatificou o papa Paulo VI, que morreu em 1978. Com a beatificação, o pontífice, mais conhecido pela conclusão das reformas do Concílio Vaticano II e que consagrou a proibição da Igreja sobre a contracepção, ficou mais próximo da santificação. Depois que um esboço do documento final do sínodo foi lançado na segunda-feira, os bispos conservadores prometeram alterar os termos sobre homossexuais, coabitação e novo casamento, dizendo que iriam criar confusão entre os fiéis e que ameaçavam prejudicar a família tradicional.

Segundo Francisco, o próprio Paulo VI já afirmava que a igreja, particularmente o seu sínodo de bispos, deve examinar os sinais dos tempos para garantir que adapta seus métodos para responder “às necessidades do nosso tempo e às condições de mudança da sociedade”. Paulo foi eleito em 1963 como sucessor do popular papa João XXIII. Durante o seu pontificado de quinze anos, foi o responsável por implementar as reformas do Concílio Vaticano II, que abriu caminho para a missa ser rezada em línguas locais, em vez de em latim, pediu uma maior participação dos laicos na vida da Igreja e revolucionou as relações da Igreja com as pessoas de outras religiões. O papa Francisco já havia canonizado dois outros pontífices, João Paulo II e João XXIII, em abril.

(Com agência Reuters e Estadão Conteúdo)

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