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Ienemita consegue visto americano para visitar filho em estado terminal

Casada com americano, Shaima Swilehe foi barrada durante um ano por causa das restrições de Trump ao ingresso de muçulmanos

Por Da Redação - Atualizado em 19 dez 2018, 18h52 - Publicado em 19 dez 2018, 18h15

Depois de uma espera de um ano, os Estados Unidos finalmente concederam visto para Shaima Swileh, uma cidadã do Iêmen que pretende ingressar no país exclusivamente para se despedir do filho de 2 anos, internado em estado terminal na Califórnia, informou o advogado da família na terça-feira 18.

Apesar de o marido de Swileh, Ali Hassan, ser cidadão americano, as autoridades americanas a expuseram à longa espera. Sua chegada está marcada para esta quarta, 19, de acordo com o Conselho de Relações Islâmico-americanas (CAIR).

“Na última semana, eu estava prestes a tirar meu filho dos aparelhos. Isso [a decisão] nos permitirá um luto digno”, declarou Ali, referindo-se a Abdullah, que sofre de uma rara doença degenerativa no cérebro e não sobreviverá sem o auxílio de aparelhos.

Em 2017, Swileh teve um primeiro pedido rejeitado por causa das restrições de viagem aos Estados Unidos de muçulmanos, o chamado “Muslim ban”. A medida adotada pelo governo de Donald Trump impede a concessão de visto americano no passaporte de cidadãos de vários países islâmicos, entre os quais o Iêmen.

Na segunda-feira 17, o CAIR entrou com uma ação federal de emergência em nome da família. Os advogados alegaram que a embaixada dos Estados Unidos no Cairo, onde Swileh vive, atrasaram a decisão sobre seu visto de propósito para justificarem o pedido indeferido.

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“A ação que movemos ontem mostra detalhes para o tribunal de como a embaixada ignorou mais de 28 pedidos de ajuda feitos pela família no último ano e até mesmo os requerimentos feitos pelo advogado anterior, com documentação médica mostrando que a criança estava à beira da morte”, contou o Conselho.

O marido de Swileh chegou a ir pessoalmente ao Departamento de Estado americano para pedir que o visto dela fosse emitido.

Swileh e Hassan se conheceram e casaram no Iêmen, de acordo com o jornal San Francisco Chronicle. O filho do casal também nasceu no Iêmen, poucos meses depois do início da guerra civil no país, em 2015.  Ela deixou o Iêmen rumo ao Egito quando Abdullah tinha 8 meses.

Hassan a encontrou no Cairo, onde obteve o visto de turista para o filho na embaixada americana. Há 3 meses, ele deixou a mulher no Egito e voltou para sua cidade natal, Stockton, na Califórnia, em busca de tratamento para o garoto.

Além do Iêmen, a versão mais recente do banimento de Trump inclui barreiras contra o Irã, Líbia, Somália e Síria. A decisão também afeta visitantes da Coréia do Norte e alguns viajantes da Venezuela.

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