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ICE mata duas pessoas em uma semana e reativa revolta com cerco à imigração de Trump

Operações da polícia de imigração terminaram com colombiano e mexicano baleados; ambos tinham permissão para trabalhar nos EUA, segundo ONGs

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 jul 2026, 10h20 | Atualizado em 14 jul 2026, 10h27
ICE mata duas pessoas em uma semana e reativa revolta com cerco à imigração de Trump Priorizar nos meus resultados Google

Uma dança das cadeiras no Departamento de Segurança Interna americano (DHS, na sigla em inglês) em março veio na sequência de escândalos envolvendo o ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, que culminaram com uma onda de operações violentas (algumas com desfecho fatal) no estado de Minnesota. O objetivo era tirar a agência das manchetes, empregando uma abordagem mais discreta na aplicação das leis de imigração: suspensas as fiscalizações em massa em cidades, bem como um programa de treinamento acelerado para novos agentes do ICE que, segundo críticos, enviava às ruas agentes sem o preparo adequado.

No entanto, dois incidentes na última semana colocaram o ICE de volta nos holofotes e reacenteram a ira da população contra o projeto de prisões e deportações de estrangeiros do presidente Donald Trump. Na segunda-feira 13, um agente de imigração matou a tiros um homem colombiano de 26 anos em Biddeford, uma cidade de 22 mil habitantes no estado do Maine; na semana passada, o ICE já tinha matado um mexicano que residia nos Estados Unidos durante uma operação em Houston, no Texas.

O caso texano envolveu Lorenzo Salgado Araujo, um construtor de 52 anos, pai de três filhos. Ele estava a caminho do trabalho quando foi perseguido por agentes federais. O ICE informou que o mexicano ignorou ordens e tentou atropelar um agente, que disparou sua arma em legítima defesa, uma versão desmentida por testemunhas.

Na segunda-feira, a vítima foi Joan Sebastián Guerrero, que trabalhava como motorista de um serviço de entregas e morava em Biddeford com a esposa e a filha de três anos. De acordo com o ICE, se tratava de um “estrangeiro em situação irregular com uma ordem definitiva de expulsão” e que “veículo tentou fugir do local”, mas o colombiano sequer era o alvo da operação, segundo o gabinete do procurador-geral do Maine.

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Uma testemunha, Daniel Boucher, contou à agência de notícias AFP que ouviu disparos antes de ver agentes do ICE tirarem uma pessoa de um carro branco, com a cabeça e o rosto cobertos de sangue.

“Naquele momento, ouvi claramente a vítima dizer: ‘Tentei parar’, algo assim”, afirmou. “Depois ele estava no chão. Eu só conseguia ver as pernas e o abdômen e, em um dado momento, percebi que o abdômen parou de se mexer e soube que ele havia morrido”.

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Em um comunicado, a embaixada da Colômbia afirma que solicitou ao DHS um esclarecimento sobre a morte de um cidadão colombiano. A Procuradoria do Maine afirmou apenas que o agente será colocado em licença administrativa, de acordo com o protocolo sobre casos de disparos de arma de fogo que envolvem a polícia. O FBI, por sua vez, anunciou que estava investigando os fatos.

As duas mortes elevam para nove o número de pessoas que perderam a vida em confrontos com agentes federais de imigração desde o início do segundo governo Trump.

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Denúncias

As organizações Maine Immigrants’ Rights Coalition e Presente Maine afirmaram que Joan Sebastián Guerrero tinha permissão para trabalhar nos Estados Unidos.

“Não vamos deixar que esta morte se reduza a um pé de página nas estatísticas de aplicação da lei desta administração”, disse Crystal Cron, diretora-executiva da Presente Maine.

A governadora do Maine, Janet Mills, disse estar “horrorizada com a tragédia”.

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“Esse fato torna esta tragédia ainda mais perturbadora e revoltante, e ressalta a forma temerária e improvisada com que são realizadas as operações de aplicação da lei de imigração no Maine e em todo o país”, escreveu Mills no X (ex-Twitter).

Imagens do local do acidente mostravam um perímetro de segurança estabelecido em uma rua residencial, com um veículo da polícia científica estacionado ao lado de uma tenda vermelha.

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Manifestantes contrários ao ICE se reuniram no local.

“Uma pessoa morreu e seus entes queridos e as pessoas da nossa comunidade merecem respostas claras sobre o que aconteceu”, disse o prefeito de Biddeford, Liam LaFountain, em um comunicado.

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