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Hungria está disposta a negociar ajuda financeira internacional

Por Da Redação 5 jan 2012, 08h35

Budapeste, 5 jan (EFE).- O Governo da Hungria manifestou nesta quinta-feira que está disposto a iniciar as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia (UE) sobre um empréstimo para evitar um colapso da economia.

O ministro Tamás Fellegi, encarregado das negociações com o FMI, disse em entrevista coletiva que ‘não é seguro’ que o Governo húngaro aceite todas as propostas, mas ‘está disposto a negociar sobre todas’.

A Hungria se encontra sob forte pressão internacional por causa das emendas em sua Constituição, que segundo o FMI e a Comissão Europeia minguam a independência de seu Banco Central.

‘Consideramos importante chegar a um acordo’, disse o ministro em referência à necessidade de que a Hungria receba ajuda financeira do exterior que permitiria ‘oferecer uma rede de segurança’.

O país ex-comunista, imerso em uma grave crise econômica, necessita refinanciar este ano quase 5 bilhões de euros, quando sua moeda, o forinte, está em valores mínimos históricos frente ao euro e os rendimentos de seus bônus a dez anos foram duplicados até acima de 11%.

A estimativa é que a Hungria poderia necessitar de um empréstimo de entre 15 e 20 bilhões de euros, por isso que Fellegi destacou nesta quinta-feira a importância de chegar a um acordo ‘rapidamente’.

Após as declarações do ministro, a cotação do forinte sofreu uma nova desvalorização, até 324 unidades por euro, frente à abertura de 321 forintes por euro desta manhã.

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Sobre a polêmica suscitada em torno do Banco Central, Fellegi disse que o Governo húngaro ‘respeita sua independência’.

O ministro acrescentou que o vice-governador do banco emissor fará parte da delegação húngara que viajará para Washington no dia 11 de janeiro, para preparar as negociações com o FMI, já que o Governo buscará apoio no ‘potencial de especialistas’ dessa entidade.

O Banco Central Europeu criticou a lei húngara sobre o Banco Central, e embora tenha emendado o projeto em alguns pontos, a nomeação de novos vice-governadores e membros do Conselho Monetário da instituição por parte do Governo húngaro continua sendo uma fonte de críticas.

A Hungria é governada desde meados de 2010 pelo conservador e nacionalista partido Fidesz, que dispõe de uma maioria de dois terços no Parlamento.

Com estes poderes, o primeiro-ministro, Viktor Orbán, iniciou uma série de polêmicas reformas, que segundo seus críticos dentro e fora do país estão minguando a democracia.

A Comissão Europeia está inclusive estudando a possibilidade de ditar sanções contra a Hungria pela suposta violação do direito comunitário.

Entre suas medidas mais controversas graças a sua maioria de dois terços, o Fidesz modificou a Constituição, limitou os poderes do Tribunal Supremo e recortou a independência do banco central, além de impor a chamada ‘lei mordaça’ que limita a liberdade de expressão. EFE

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