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Hugh Grant presta depoimento no caso das escutas ilegais

Tabloide 'Sunday Mail' publicou detalhes de um relacionamento do ator em 2007

Durante um depoimento que prestou nesta segunda-feira ao Tribunal Superior de Londres, o ator Hugh Grant disse acreditar que o seu telefone foi grampeado pelo tabloide britânico Sunday Mail. Esta é a primeira vez que o ator, que depôs contra o extinto jornal News of the World no caso das escutas telefônicas ilegais, acusa um jornal que não pertence ao grupo News Corp., de propriedade do magnata das comunicações Rupert Murdoch.

Entenda o caso

  1. • O tabloide News of the World recorria a detetives e escutas telefônicas em busca de notícias exclusivas – entre as vítimas estão celebridades, políticos, membros da família real e até parentes de soldados mortos.
  2. • Policiais da Scotland Yard também teriam sido subornados para fornecer informações em primeira mão aos jornalistas.
  3. • O escândalo forçou o fechamento do jornal sensacionalista, que circulou por 168 anos e era um dos veículos do grupo News Corp., do magnata Rupert Murdoch.
  4. • Agora, a polícia investiga uso de grampos ilegais em outros jornais britânicos.

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Segundo o ator, as informações contidas em uma reportagem de 2007 sobre sua vida amorosa só poderiam ter sido obtidas por meio de grampos em sua caixa de mensagens. Na época, a matéria afirmava que o relacionamento de Grant com Jemina Khamina foi abalado por conversas com uma mulher de “voz apetitosa”, identificada apenas como uma executiva de um estúdio cinematográfico. Ele afirmou que não consegue imaginar outro meio pelo qual os jornais poderiam ter obtido os dados.

Grant garante que essa mulher nunca existiu, apesar de ter admitido que recebeu mensagens da assistente de um produtor amigo seu. “Ela deixava mensagens encantadoras e engraçadas e tinha uma voz que só poderia ser descrita como apetitosa”, contou. Quando foi questionado se tinha provas sobre a fonte da matéria, ele disse que não, mas desafiou os jornais a apresentarem a fonte. “Especulação? Certo. Mas eu adoraria escutar a explicação do Daily Mail ou do Sunday Mail sobre qual era a fonte da matéria se não foi um grampo telefônico”, disse.

Vítimas – Hugh Grant é uma das vítimas das escutas ilegais praticadas por tabloides britânicos para conseguir informações exclusivas. A prática veio à tona depois da revelação de que, entre os telefones espionados, estava o de uma menina assassinada e de parentes de soldados mortos no Afeganistão e no Iraque. A garota em questão é Milly Dowler, cuja família também à Justiça nesta segunda. A mãe de Milly, Sally, disse que chegou a pensar que sua filha estava viva quando mensagens de voz de seu celular foram deletadas – só as pessoas da família tinham senha para tal. Depois, descobriu-se que um detetive contratado pelo News of the World, e que havia grampeado o telefone da menina, era quem tinha apagado as mensagens.

Sally lembrou que, ao final de uma ligação para o celular da filha, o recado para deixar uma mensagem de voz a encheu de esperanças. “Quando eu ouvi a sua voz, disse: ‘Ela entrou em seu correio de voz, Bob (o pai de Milly). Ela está viva!'”. Pouco tempo depois, a adolescente foi encontrada morta. No mês passado, a News International – filial britânica do News Corp. – concordou em pagar aos Dowler 2 milhões de libras pelos danos causados e Murdoch se comprometeu a doar outro milhão de libras a instituições de caridade.