Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês

Hosni Mubarak renuncia à presidência do Egito

O vice-presidente, Omar Suleiman, anunciou que o ditador deixou o cargo, conforme vinha sendo pedido por manifestantes há 18 dias

Por Da Redação 11 fev 2011, 13h24

O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, anunciou nesta sexta-feira que o presidente Hosni Mubarak renunciou. Suleiman fez o anúncio em uma breve declaração na TV estatal e disse que Mubarak entregou o poder ao alto comando das Forças Armadas. A multidão de manifestantes que pedia sua saída há 18 dias, comemora nas ruas do Cairo, aplaudindo, balançando bandeiras, se abraçando e tocando buzinas. “O povo derrubou o regime”, gritam.

Segundo o embaixador do Brasil no Egito, Cesário Melantonio, Suleiman também renunciou ao cargo de vice-presidente. A saída acontece um dia após Mubarak anunciar que permaneceria no cargo que ocupava havia mais de 30 anos, apesar da grande pressão popular. Ainda nesta sexta-feira, o ditador deixou o Cairo, acompanhado da família, para ir ao balneário Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho, onde tem uma casa.

Pouco depois, o secretário-geral do governista Partido Nacional Democrático, Hossam Badrawi, também renunciou ao cargo, informou a rede Al Arabiya. Ele havia assumido o posto pós a renúncia de Safwat el-Sharif, ex-secretário-geral do partido, e Gamal Mubarak, filho do presidente que liderava o comitê político do PND, no último domingo.

Na quinta-feira passada, os manifestantes reagiram furiosos ao discurso de Mubarak, que se recusou a renunciar, e pediram ao Exército que se unisse a eles na rebelião. Para esta sexta, movimentos juvenis e grupos opositores convocaram uma grande manifestação, que prometia reunir ainda mais pessoas. A praça Tahrir, epicentro da sublevação popular, amanheceu tomada pela oposição e cerca de 2.000 manifestantes já cercavam o palácio presidencial e o prédio da televisão estatal egípcia nesta manhã.

Exército – Também nesta sexta, o Conselho Supremo das Forças Armadas anunciou que colocará fim à Lei de Emergência, que restringe a liberdade civil no país desde 1981, “assim que se resolver a situação atual”. Em comunicado, também prometeu não perseguir os “honoráveis cidadãos que rejeitaram a corrupção e pediram reformas”, além de garantir as reformas prometidas por Mubarak. A nota foi emitida após uma reunião do Conselho, presidido pelo ministro da Defesa, Mohamed Hussein Tantawi.

No dia anterior, o Conselho Supremo das Forças Armadas insistiu em seu apoio “às legítimas reivindicações do povo” e afirmou que está “estudando medidas” para defender os interesses do país. A emissora de TV pública mostrou imagens do Conselho, mas entre os presentes não se encontrava Mubarak, comandante-chefe das Forças Armadas, o que alimentou ainda mais os rumores sobre sua possível saída.

Continua após a publicidade
Publicidade