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Homem extraditado para a Itália como chefe do tráfico de pessoas pode ser inocente

País comemorou prisão de 'um dos traficantes de seres humanos mais procurados do mundo', mas familiares de um refugiado desaparecido garantem que autoridades o confundiram com o criminoso

A Justiça italiana investiga se o eritreu extraditado para a Itália nesta semana, sob acusação de tráfico de seres humanos, é realmente o criminoso procurado desde 2015. Mered Medhanie, de 35 anos, suspeito de ser o chefe de uma das maiores redes de atravessadores de imigrantes, teria sido foi preso no final de maio em Cartum, no Sudão, e extraditado para a Itália na segunda-feira à noite, mas irmãs de um refugiado desempregado chamado Medhanie Tesfarmariam Berhe, de 29 anos, garantem que o homem detido é, na verdade, seu irmão.

Vítimas do traficante também não reconheceram o homem preso em Roma, o que aumentou a cobrança pela confirmação da verdadeira identidade do eritreu capturado como ‘um dos traficantes de seres humanos mais procurados do mundo’.

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Conhecido como General por comandar um império multibilionário de tráfico de pessoas, Mered Medhanie é suspeito de enviar cerca de 8.000 imigrantes anualmente para o continente europeu, cobrando cerca de 5.000 euros por pessoa (19.000 reais). “Ele não apenas dirigia operações na África, mas também informava seus companheiros na Itália sobre a chegada de barcos para permitir que os imigrantes continuassem viagem até seu destino final”, afirmou a polícia italiana.

Segundo os investigadores italianos, a rede comandada por Medhanie é responsável pela morte de 359 pessoas em outubro de 2013, quando um barco que levava imigrantes pegou fogo e naufragou próximo à ilha italiana de Lampedusa.

O procurador de Palermo, Francesco Lo Voiu, encarregado da investigação, chegou a comemorar a prisão, afirmando que é “um ponto de virada na luta contra o tráfico de seres humanos”. A Itália já prendeu centenas de acusados de cumplicidade com as redes de tráfico de pessoas, mas Mered Medhanie seria o primeiro líder do tráfico de seres humanos preso na África e extraditado para o país europeu.

Segundo a agência da ONU para os Refugiados (Acnur), mais de 48.000 pessoas chegaram na Itália pelo mar desde janeiro e 10.000 pessoas morreram em tentativas de cruzar o Mediterrâneo nos últimos dois anos.

(Da redação)