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Professor que mostrou caricaturas de Maomé é decapitado perto de Paris

Autoridades tratam caso como possível atentado terrorista; Presidente Emmanuel Macron viajou ao local

Por Da Redação - Atualizado em 16 out 2020, 18h22 - Publicado em 16 out 2020, 14h26

Um professor de história que exibiu caricaturas de Maomé durante uma aula sobre liberdade de expressão foi decapitado perto de Paris nesta sexta-feira (16), em um caso que as autoridades tratam como um possível ato de terrorismo. O suposto agressor foi ferido gravemente pela polícia, segundo a Procuradoria Nacional Antiterrorista, que investiga o ocorrido.

O assassinato ocorre três semanas após um ataque a faca na capital francesa perto da antiga sede da revista Charlie Hebdo, que publicou as charges, consideradas ofensivas por muçulmanos. A representação visual dos profetas, como Abraão e Moisés, é estritamente proibida pelo islã sunita e, em alguns países muçulmanos mais rígidos, ridicularizar ou insultar o profeta Maomé pode resultar em pena de morte.

A vítima foi decapitada no meio da rua, perto da escola onde trabalhava, em Conflans-Sainte-Honorine, uma pequena cidade de 35 mil habitantes a 50 quilômetros de Paris,  por volta das 17h (12h no horário de Brasília).

A polícia de Conflans Saint-Honorine, a cerca de 50 km ao noroeste de Paris, foi alertada sobre a presença de um indivíduo suspeito que rondava uma escola, segundo Procuradoria. Ao chegar pra averiguar a situação, agentes encontraram a vítima decapitada a 200 metros da escola e tentaram prender um homem que segurava uma faca. O suspeito então ameaçou os agentes, que dispararam, segundo as autoridades.

O suspeito, que assim como a vítima não teve sua identidade divulgada, morreu.

Uma investigação sobre o ataque, que ocorreu por volta das 17h, no horário local, foi aberta por “assassinato em conexão com uma organização terrorista” e “associação criminosa terrorista” e delegada para unidade antiterrorismo da polícia. Foi estabelecido um perímetro de segurança e o serviço de desminagem foi chamado por suspeita de que o homem estivesse usando um colete explosivo.

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A polícia investiga uma mensagem postada no Twitter, que mostra uma foto da cabeça da vítima. Acompanha a imagem uma mensagem dirigida ao presidente da França, Emmanuel Macron, “o líder dos infiéis”. Na publicação, o autor do tuíte também  disse que quis “executar” a pessoa que “se atreveu a menosprezar Maomé”.

Macron dirigiu-se imediatamente ao local do ataque, acompanhado de seu ministro do Interior, Gérald Darmanin, que interrompeu uma viagem ao Marrocos e voltou a Paris. Também integrava a comitiva o ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer.

“Não passarão, o obscurantismo e a violência que o acompanham, não vencerão”, acrescentou Macron, que tomou a palavra após se reunir com professores da escola onde o professor trabalhava.

Pelo Twitter, o ministro da Educação já havia dito após o assassinato do professor que “é a República que está sendo atacada”.

Há apenas três semanas, duas pessoas ficaram feridas após um ataque realizado com um facão por um paquistanês de 25 anos próximo às antigas instalações do semanário satírico Charlie Hebdo. O autor do ataque disse aos investigadores que queria vingar a republicação das charges de Maomé pela revista no início de setembro.

Sob o título “Tout ça pour ça” (‘Tudo isso por isso’, em tradução livre), a revista voltou a republicar desenhos do profeta que incitaram um ataque em janeiro de 2015 por dois extremistas que deixou 17 mortos. A republicação das charges foi feita por conta do julgamento dos atentados, que começaram no início de setembro.

Vários integrantes da redação do Charlie Hebdo morreram no atentado, incluindo os desenhistas Cabu, Charb, Honoré, Tignous e Wolinski, o que provocou um movimento de apoio sem precedentes a favor do semanário satírico, na França e no exterior.

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