Hollande visitará o Mali em meio a acusações de crimes

Presidente visitará Timbuktu, cidade tomada por forças lideradas pela França

Por Da Redação - 1 fev 2013, 14h38

Três semanas após o início da intervenção do Exército francês no Mali para expulsar grupos islamitas armados que ocupavam parte do território, o presidente da França, François Hollande, visitará o país no sábado, acompanhado por três ministros. A visita ocorre em meio a novas acusações de violações dos direitos humanos contra as partes envolvidas no conflito.

Entenda o caso

  1. • No início de 2012, militantes treinados na Líbia impulsionam uma grande revolta dos tuaregues no norte do Mali. Em março, o governo sofre um golpe de estado.
  2. • Grupos salafistas, com apoio da Al Qaeda, aproveitam o vácuo de poder para tomar o norte do país – onde impõem um sistema baseado nas leis islâmicas da ‘sharia’.
  3. • Em janeiro de 2013, rebeldes armados, com ideais bastante heterogêneos, iniciam uma ofensiva em direção ao sul do Mali, e o presidente interino, Dioncounda Traoré, pede socorro à França.
  4. • Com o aval das Nações Unidas, François Hollande envia tropas francesas e dá início a operações aéreas contra os salafistas, numa declarada guerra contra o terrorismo.

“O presidente da República chegará ao Mali no sábado, 2 de fevereiro de 2013. Viajará acompanhado de seus ministros das Relações Exteriores, Laurent Fabius, da Defesa, Jean-Yves Le Drian, e de Desenvolvimento, Pascal Canin”, informou a presidência francesa.

Hollande encontrará o presidente interino do Mali, Dioncounda Traore, na capital, Bamako. Mais tarde, deve visitar Timbuktu, cidade recentemente tomada dos islamitas por tropas lideradas pela França.

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A intervenção militar francesa teve início em 11 de janeiro, no dia seguinte a uma ofensiva de grupos islamitas armados ligados à Al Qaeda que ocupavam o Norte do país há dez meses. Nesta semana, as tropas francesas e malinesas reconquistaram três importantes cidades do norte: Gao, Timbuktu e Kidal.

A campanha militar de reconquista acelerou no último fim de semana com a retomada de Gao e Timbuktu e a chegada terça-feira à noite de soldados franceses no aeroporto de Kidal, cidade controlada pelos rebeldes tuaregues e islamitas dissidentes que se dizem “moderados”.

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Denúncia – A ofensiva foi acompanhada por denúncias de violações dos direitos humanos. Em um relatório publicado nesta sexta-feira, a Anistia Internacional disse que o Exército do Mali prendeu e executou civis.

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A ONG, que realizou uma investigação de dez dias nas cidades de Segu, Sevare, Niono, Konna e Diabali, relata “homicídios arbitrários e deliberados” por parte dos grupos islamitas armados e denuncia o recrutamento de crianças. O diretor de comunicação do Exército malinense, coronel Souleymane Maïga, nega todas as acusações. “O Exército é uma força republicana que não comete violações”, afirmou.

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(Com agência France-Presse)

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