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Hollande promete ser ‘implacável’ com soldados que estupraram crianças africanas

Segundo a imprensa francesa, catorze militares acusados de abusos já estão afastados. A França abriu uma investigação própria, paralela à da ONU, sobre o escândalo

Por Da Redação - 30 abr 2015, 10h53

O presidente francês François Hollande afirmou nesta quinta-feira que punirá soldados infratores caso sejam confirmadas as acusações de que militares franceses estupraram crianças e mulheres na República Centro-africana. “Se algum militar se comportou mal, serei implacável. Desde que recebemos as primeiras informações, o ministério da Defesa e eu mesmo colocamos em andamento uma investigação e comunicamos à justiça”, declarou.

Segundo revela o jornal Le Monde, catorze militares suspeitos dos crimes estão já afastados da corporação. As acusações de estupro foram feitas por seis crianças com idades variando de 9 a 13 anos. Quatro afirmaram ter sido estuprados, e dois disseram ter testemunhado os fatos. Um porta-voz da ONU informou que investigadores de direitos humanos da organização conduziram uma investigação no ano passado depois de acusações de abuso e exploração sexual por soldados franceses na República Centro-Africana.

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Nesta quarta, o jornal britânico The Guardian noticiou que o funcionário da ONU Anders Kompass foi suspenso após vazar o relatório das investigações por considerar que a entidade não estava tratando as acusações com seriedade. O porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq, confirmou que o sueco Kompass foi suspenso por ter vazado os resultados da investigação para as autoridades francesas. A ONU, que não havia identificado o diplomata, afirmou que “tal conduta não faz dele um informante”.

O relatório confidencial documenta a exploração sexual de menores por parte de soldados franceses em missão s na República Centro-Africana, incluindo detalhes sobre as vítimas e dos soldados envolvidos. O ministério da Defesa francês confirmou que Paris abriu sua própria investigação após a da ONU.

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Os abusos descritos no documento ocorreram antes da implementação da missão das Nações Unidas na República Centro-Africana e foram investigadas pelo Gabinete de Direitos Humanos da ONU, em Bangui, no final do segundo trimestre do ano passado. Segundo o Guardian, o relatório contém testemunhos de crianças que afirmaram terem sido estupradas por soldados franceses entre dezembro de 2013 e junho 2014 em um campo para deslocados no aeroporto de Bangui.

A França enviou tropas para a República Centro-Africana em dezembro de 2013, quando o país estava mergulhado na violência após um golpe que derrubou o presidente Francois Bozizé.

(Da redação)

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