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Hollande põe política europeia e internacional em presidenciais francesas

Paris, 25 abr (EFE).- As presidenciais francesas adquiriram nesta quarta-feira uma aparência mais europeia e internacional depois que o candidato socialista, François Hollande, prometesse que se vencer as eleições pedirá a revisão do pacto fiscal da União Europeia e vai retirar as tropas do Afeganistão.

Em pleno segundo turno do pleito presidencial, que será disputado em 6 de maio, Hollande, favorito como indicam as pesquisas a ocupar o Eliseu, apostou pela criação dos eurobônus para financiar ‘projetos industriais e infraestruturas’ e por manter relações de igualdade com os Estados Unidos e China.

Sua proposta de renegociar o pacto europeu sobre disciplina orçamentária dominou grande parte da conferência organizada para explicar seu programa à imprensa, mas as relações com a África e sua firmeza frente a chanceler alemã, Angela Merkel, diminuíram também por momentos o protagonismo de temas nacionais.

Se for eleito presidente, Hollande adiantou que pretende repetir comparecimentos similares diante da imprensa a cada seis meses, e considerou como reforço de sua própria tese o fato de que o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, propusesse nesta quarta-feira um ‘pacto de crescimento’ econômico na UE aos líderes europeus.

O dirigente socialista louvou essa postura de Draghi e, apesar de ressaltar que sua intenção não é enfrentar a chanceler alemã, Angela Merkel, deixou clara sua disposição de manter com ela diálogo ‘firme’ e de não dissimular a divergência de opiniões.

Se os franceses confiarem, Hollande declarou que no dia seguinte ao pleito mandará um memorando aos demais chefes de Estado e do Governo da UE com suas propostas para modificar o pacto fiscal, que incluem o recurso do eurobônus para financiar ‘projetos industriais e infraestruturas’.

A ideia de que o BCE ‘tenha maiores possibilidades de financiamento’, de criar uma taxa sobre as transações financeiras e de mobilizar os fundos estruturais inutilizados completam os pontos desse hipotético texto, ao qual acrescentará a necessidade de um maior diálogo com essa instituição para ‘deter a especulação’.

O líder socialista aproveitou o discurso para mostrar sua oposição a colocar na Constituição nacional a chamada ‘regra de ouro’ sobre equilíbrio orçamentário, e lembrou sua aposta para votar ‘uma lei orgânica que permita uma programação das finanças públicas no marco da volta ao equilíbrio’ fiscal promotor.

Mais discreto nesta quarta-feira em termos de política externa, o presidente francês e aspirante à reeleição, Nicolas Sarkozy, confirmou sua intenção de submeter a referendo antes do fim de 2012 essa regra em caso de que o Senado, de maioria socialista, se negue a votar esse projeto de lei.

As divergências entre os dois candidatos foram igualmente evidentes quando Hollande citou sua determinação em começar o processo de retirada das tropas francesas do Afeganistão desde o início de seu mandato, e que até o fim deste ano todas as unidades de combate já terão voltado. Sarkozy prevê fazê-lo em 2013.

O socialista quis afastar-se igualmente da política seguida até agora com relação ao continente africano. Sem entrar em detalhes, defendeu que é necessária ‘uma ruptura’ das práticas mantidas entre França e esses países e de certos hábitos ‘que não são legais e aceitáveis’.

Perguntado a respeito, expressou seu desejo de manter ‘relações mais equilibradas entre Europa e a China’, sob o princípio da reciprocidade, e se comprometeu em trabalhar, se chegar à Presidência, para que haja uma relação de confiança com os Estados Unidos.

Os dois coincidiram apenas ao falarem que estas eleições serão ‘históricas’, e na necessidade de que todos os franceses acudam às urnas dentro de duas semanas para respaldar seus respectivos projetos.

‘Ajudem-nos como nunca’, solicitou Sarkozy, enquanto Hollande lembrou que os franceses têm em suas mãos com este pleito a possibilidade de escolher ao próximo presidente, ‘que mudará o destino da França e da Europa’. EFE