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Hezbollah condiciona cessar-fogo à retirada de tropas de Israel do sul do Líbano

Trégua de dez dias anunciada por Donald Trump enfrenta impasse sobre presença militar israelense e gera incerteza sobre sua implementação

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 abr 2026, 17h06 | Atualizado em 16 abr 2026, 17h54
Hezbollah condiciona cessar-fogo à retirada de tropas de Israel do sul do Líbano Priorize VEJA no Google

O grupo xiita libanês Hezbollah afirmou nesta quinta-feira, 16, que só aceitará um cessar-fogo no Líbano caso tropas de Israel deixem o sul do país, colocando em dúvida a viabilidade da trégua anunciada pelos Estados Unidos horas antes.

O acordo, mediado pelo presidente americano Donald Trump, prevê a suspensão dos combates por dez dias e deveria entrar em vigor às 18h, horário de Brasília. No entanto, divergências sobre os termos, especialmente a presença militar israelense, já expõem fragilidades no entendimento.

Impasse sobre retirada de tropas

Em comunicado, o Hezbollah afirmou que a permanência de soldados israelenses em território libanês daria ao país “o direito de resistir”, indicando que não reconhecerá plenamente a trégua sem uma retirada completa. A posição contrasta com a do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que afirmou que o acordo não inclui a saída das tropas do sul do Líbano.

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O grupo também destacou que qualquer cessar-fogo não pode permitir liberdade de movimento às forças israelenses dentro do território libanês.

Aliado do Hezbollah, o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, pediu cautela à população. Em nota, ele orientou que os deslocados adiem o retorno às suas cidades e vilarejos até que os termos do acordo estejam mais claros.

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Mediação americana

O cessar-fogo foi anunciado por Trump após conversas com líderes de Israel e do Líbano. Segundo o presidente americano, o objetivo é abrir caminho para negociações mais amplas e reduzir a escalada do conflito.

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Trump também indicou a possibilidade de convidar o presidente libanês, Joseph Aoun, e Netanyahu para uma reunião na Casa Branca — o que, se ocorrer, seria o primeiro encontro entre líderes dos dois países em cerca de três décadas.

Apesar disso, autoridades libanesas indicaram resistência a contatos diretos com o governo israelense no atual momento.

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Embora o acordo mencione Líbano e Israel, o confronto é, na prática, travado entre o Exército israelense e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã e com forte presença no sul libanês. As forças armadas do Líbano não participam diretamente dos combates.

As tensões entre os dois países remontam à década de 1970, com episódios marcantes como as incursões militares israelenses em 1978 e 1982, em resposta a ataques de milícias pró-palestinas.

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O Líbano foi arrastado para a guerra — iniciada em 28 de fevereiro com ataques israelenses e americanos ao Irã — no dia 2 de março, quando o movimento xiita abriu uma frente de combate contra Israel em retaliação à morte do líder supremo Ali Khamenei.

Segundo as autoridades libanesas, os ataques israelenses mataram mais de 2.000 pessoas e deslocaram pelo menos um milhão.

Apesar das conversas com o Líbano, Israel continuou atacando supostos alvos do Hezbollah no país. Nesta quarta, o Exército israelense atacou o sul de Beirute e o grupo pró-iraniano disparou quase 30 foguetes contra o território israelense.

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