Clique e assine a partir de 9,90/mês

Herói peruano do Costa Concordia critica ‘covardia’ do capitão

Por Da Redação - 19 jan 2012, 14h40

Lima, 19 jan (EFE).- O tripulante peruano do cruzeiro Costa Concordia, Humberto Morales, considerado pela imprensa de seu país um herói por ter embarcado cerca de 300 passageiros nos botes salva-vidas, afirmou nesta quinta-feira que a atitude do capitão do navio foi ‘uma covardia’.

Morales chegou na madrugada desta quinta-feira a Lima junto com um grupo de 40 tripulantes peruanos do cruzeiro, que foram recebidos com festa por seus familiares.

O tripulante peruano, que trabalha há dez anos na linha de cruzeiros, reafirmou que o Costa Concordia afundou ‘por um erro humano’ e não duvidou em tachar de covarde a decisão do capitão Francesco Schettino de abandonar o navio e abordar um dos botes salva-vidas depois do acidente.

Morales também confirmou a jornalistas que os oficiais demoraram em dar o sinal de emergência e só lhes disseram que ‘as falhas eram elétricas e estavam sendo reparadas’.

Continua após a publicidade

‘Tudo já estava em caos, descemos com o colete salva-vidas e me disseram que o navio estava afundando’, relatou, destacando que, graças à preparação que tinha recebido, orientou os demais passageiros.

Morales disse que conseguiu embarcar 150 pessoas em um primeiro bote, mas que este não podia ser lançado ao mar porque estava travado e a manobra só foi completada quando outro tripulante cortou as amarras com uma faca.

O peruano disse que depois embarcou os passageiros de uma segunda lancha, quando o cruzeiro já estava inclinado, voltou a seu quarto para buscar seu celular e sua câmera fotográfica.

‘O garçom e eu voltamos a embarcar na segunda lancha. Era um caos, as pessoas gritavam, choravam e eu tinha que tranquilizá-las’, recordou.

Continua após a publicidade

Apesar desta tragédia, Morales garantiu que voltará à Itália em abril para juntar-se à tripulação de outro cruzeiro.

Seu relato foi confirmado por outros tripulantes peruanos, como Ángel Paredes, que sofreu uma luxação no braço direito após escorregar enquanto tentava abordar um bote.

Rudy Mendoza, que trabalhava no cassino do Costa Concordia, confirmou a jornalistas que os tripulantes reagiram tal como tinham sido preparados, enquanto o bombeiro Renzo Acasiete enfatizou que ele sabia ‘o que tinha que fazer’.

O jornal ‘El Comercio’ informou hoje que a empresa do cruzeiro assumiu as despesas de atendimento médico e psicológico requisitado pelos peruanos, além de uma indenização por perda de bens de US$ 3,5 mil. EFE

Publicidade