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Helicópteros disparam contra universidade em área sob controle rebelde

Entidade de direitos humanos informa que há provas de que jihadistas sunitas estão cometendo assassinatos em massa entre a população civil iraquiana

Helicópteros iraquianos dispararam nesta sexta-feira contra um campus universitário em Tikrit, no norte do país, para forçar a saída de insurgentes que ocuparam a cidade durante a violenta ofensiva que lhes garantiu o controle da maior parte das regiões de maioria sunita, levando-os a se aproximar de Bagdá. “Eu e minha família partimos esta manhã. Pudemos ouvir disparos. Os helicópteros estão atacando a área”, disse Farhan Ibrahim Tamimi, professor universitário que fugiu de Tikrit rumo a uma cidade vizinha.

As forças iraquianas lançaram o ataque aéreo a Tikrit na quinta-feira, enviando comandos para um estádio em helicópteros. Uma das aeronaves um caiu depois de ser atingida pelos insurgentes. Tikrit, cidade-natal do ex-ditador Saddam Hussein, caiu há 15 dias em mãos dos jihadistas sunitas liderados pelos combatentes do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), uma dissidência da Al Qaeda.

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Massacres – Fotografias e imagens de satélites indicam que insurgentes do EIIL realizaram execuções em massa na cidade de Tikrit, norte do país, disse a ONG de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) nesta sexta. O HRW informou que entre 160 e 190 homens foram mortos em pelo menos dois lugares dentro e ao redor de Tikrit entre 11 e 14 de junho. A entidade afirmou ainda que o total de mortos pode ser muito maior, e que a dificuldade de localizar os corpos e chegar ao local não permitiram uma investigação completa. Fotos publicadas no website do HRW mostram uma fileira de homens com a cabeça para baixo em trincheiras sendo baleados por um grupo de homens. “As fotos e imagens de satélite de Tikrit fornecem forte evidência de um terrível crime de guerra que precisa de mais investigação”, disse o diretor do Human Rights Watch, Peter Bouckaert, em um comunicado.

Galeria de fotos: Insurgentes promovem execuções no Iraque

A Organização das Nações Unidas (ONU) disse na terça-feira que pelo menos 1.000 pessoas, a maioria civis, haviam sido mortas e um número equivalente ficou ferido em combate e outras formas de violência no Iraque em junho, à medida que o EIIL avançava pelo norte. A cifra inclui um número confirmado de vítimas de execuções sumárias cometidas pelo EIIL, assim como prisioneiros mortos por forças iraquianas. (Continue lendo o texto)

Jihadistas pedem apoio – Um grupo leal ao EIIL pediu aos residentes na cidade de Al Bukamal e de toda a província de Deir al Zur que se unam a eles para “deter o derramamento de sangue”. A nota é assinada pelo “emir da Frente al Nusra” em Al Bukamal, região síria próxima ao Iraque, que há dois dias mudou de lado e jurou lealdade ao EIIL. Na nota, o emir felicita os habitantes desta população por ter sido declarada recentemente como “parte do setor pertencente ao Estado Islâmico”.

A carta lamenta “o alto preço pago pela guerra” e os danos às infraestruturas, como a água e a eletricidade, e culpou o “projeto turco catariano” por todo o ocorrido. O emir prometeu melhores serviços e o desenvolvimento de produção do país, como a do petróleo, além do apoio direto do ‘Estado Islâmico’.

(Com agências Reuters e France-Presse)