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Hamtramck, a cidade americana governada por muçulmanos

A pequena cidade americana, próxima a Detroit, elegeu em novembro um conselho municipal totalmente muçulmano

Por Duda Monteiro de Barros 23 nov 2021, 17h58

Hamtramck, no estado americano de Michigan, pouco lembra o restante dos Estados Unidos. Os muçulmanos, tão discriminados no resto do país, compõem mais da metade da população da cidade de 28 mil habitantes. 

O poder dos seguidores do Islã na região é tanto que esse mês um conselho municipal totalmente muçulmano — incluindo o prefeito — foi eleito. Tendo recebido 68% dos votos, Amer Ghalib será o primeiro prefeito iemenita-americano dos EUA.

A cidade é uma exceção à regra. Por lá, dividem as ruas, pacificamente, mulheres de shorts curtos e outras com burca e hijab. Grandes igrejas e mesquitas também compartilham o mesmo quarteirão.

A presença forte da religião pode ser explicada pela forte presença de migrantes, que correspondem, em média, a 42% da população.

Apesar da coexistência invejável, o município enfrenta, como em qualquer lugar, conflitos de interesse. Uma das questões recorrentes é a briga com relação à proibição de bares próximos às mesquitas. Parte dos habitantes argumenta que a medida prejudica a economia local.

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Muçulmana caminha em frente a um McDonald em Hamtramck,
Muçulmana caminha em frente a um McDonald em Hamtramck, Internet/Reprodução

Em 2004, ocorreram atritos em um debate sobre a transmissão pública da convocação para orações muçulmanas.

Parte dos EUA especula se um conselho municipal controlado por muçulmanos poderia impor a lei da Sharia na cidade. Até agora, não há sinais de ameaça à democracia. 

Desde o ataque de 11 de setembro, a islamofobia ainda assombra muçulmanos e outros árabes americanos. Durante o governo Trump, a intolerância religiosa se agravou. Estima-se que, entre todos os grupos religiosos, os muçulmanos ainda têm a imagem mais negativa da opinião pública americana.

O Instituto Pew Research Center estima que, em 2020,  havia cerca de 3,85 milhões de muçulmanos vivendo nos Estados Unidos — o correspondente a cerca de 1,1% da população do país.

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