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Hamas e Israel acertaram novo cessar-fogo na Faixa de Gaza

Negociação intermediada pelo Egito ainda não está confirmada por Israel; proposta é de estancar recente escalada de ataques recíprocos

Por Da Redação - Atualizado em 14 nov 2018, 17h03 - Publicado em 13 nov 2018, 22h02

O movimento islâmico Hamas e outros grupos palestinos anunciaram nesta terça-feira, 13, um novo cessar-fogo com Israel, graças à intermediação do Egito. O confronto entre os dois lados foi um dos piores desde a guerra de 2014 e se concentraram na Faixa de Gaza, território palestino sob o domínio do Hamas.

“Os esforços do Egito permitiram alcançar um cessar-fogo entre a resistência e o inimigo sionista, e a resistência o respeitará enquanto o inimigo sionista o fizer”, anunciaram os grupos palestinos, em comunicado conjunto, referindo-se a Israel.

A Faixa de Gaza vivenciou inusitada calma na última noite. Fechadas durante o dia, as escolas devem ser reabertas nesta quarta-feira. Após o anúncio do cessar-fogo, milhares de palestinos participaram de manifestações em vários pontos do enclave para proclamar a “vitória sobre Israel”.

Não houve até o momento, porém, confirmação do acordo de cessar fogo por parte de Israel, que não costuma comentar anúncios deste tipo. O ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman, publicou um comunicado para desmentir ter apoiado o cessar das operações israelenses.

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No Egito, mediador histórico dos conflitos com a vizinha Faixa de Gaza, o Ministério das Relações Exteriores pediu a Israel “cessar imediatamente todas as formas de ações militares”.

Segundo uma fonte diplomática, Israel e Hamas se comprometeram em seguir “as disposições do acordo de 2014”. A fonte, contudo, advertiu que a situação era “muito precária” e que a violência poderá eclodir “de novo”.

O Kuwait e a Bolívia solicitaram nesta terça-feira uma reunião urgente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para abordar a violência na região.

Desde a tarde de segunda-feira, uma nova escalada de violência em Gaza e nas regiões israelenses vizinhas trouxe o temor de uma quarta guerra no enclave, desde 2008. O Exército israelense contabilizou 460 disparos de foguetes desde a tarde de segunda-feira. Como resposta, indicou ter atacado cerca de 160 posições militares do movimento islamita Hamas e de seu aliado, a Jihad Islâmica.

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Em menos de 24 horas, pelo menos sete palestinos morreram em ataques israelenses, que responderam ao lançamento de centenas de foguetes de Gaza. Dois militares de Israel foram mortos e dezenas de pessoas ficaram feridas.

Entre todas os episódios recentes de escalada da violência, este é o que mais ameaça os esforços da ONU e do Egito para conseguir uma trégua durável entre Israel e Hamas.

Nesta terça-feira, embora prosseguissem o disparo de foguetes do território palestino em direção a Israel e os bombardeios israelenses a posições militares na Faixa de Gaza, o grau de mortandade e de destruição foi menos intenso.

Durante a noite, dezenas de milhares de israelenses de Ascalon e de outras localidades próximas a Gaza atenderam aos alertas por sirenes e correram para abrigos. Na Faixa de Gaza, foram ouvidos durante toda a noite os ataques israelenses, que destruíram a sede da rede de televisão do Hamas e escritórios de um serviço de segurança.

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Trégua frágil

Israel enfrenta, “sem dúvidas, os disparos de foguetes mais intensos desde o verão de 2014 (…) e o ataque mais grave por parte de organizações terroristas contras as populações civis israelenses”, disse um porta-voz do Exército, o tenente-coronel Jonathan Conricus.

O Exército israelense enviou reforços de Infantaria, veículos blindados e tanques e também mobilizou novas baterias antimísseis, embora ainda não tenha apelado para os reservistas, como fez em 2014.

O Exército israelense e os grupos armados palestinos trocaram ameaças. O braço armado do Hamas, as Brigadas de Ezzeldin Al-Qassam, advertiram que ampliariam seu campo de ação em função da resposta de Israel.

A escalada começou no domingo com uma infiltração das forças especiais israelenses, em um veículo, na Faixa de Gaza, A operação terminou com a morte de um tenente-coronel israelense e de sete palestinos, entre eles um comandante do braço armado do Hamas e vários membros das brigadas Al-Qassam.

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Em represália, as brigadas Al-Qassam feriram gravemente um soldado israelense em um ataque com um míssil, o que deflagrou a resposta israelense.

Dezenas de israelenses ficaram levemente feridos, sobretudo por estilhaços, segundo os serviços de emergência. A maioria dos foguetes disparados de Gaza caiu em zonas desabitadas, indicou o Exército, mas alguns atingiram edifícios.

Em Ascalon, faleceu um trabalhador palestino originário da Cisjordânia e identificado como Mahmud Abu Asba, de 48 anos.

A Faixa de Gaza vive sob tensão desde março, e pelo menos 234 palestinos morreram desde então. Também faleceram dois soldados israelenses.

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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reúne amanhã seu gabinete de segurança, um foro limitado que trata das questões mais sensíveis, de acordo com a imprensa.

(Com AFP)

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