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Hamas ameaça retomar disparos se exigências não forem atendidas

Israel adverte que responderá usando “a força necessária” para garantir a segurança de seus cidadãos. Cessar-fogo termina nesta sexta

Um integrante do Hamas afirmou nesta quinta-feira que o grupo está pronto a retomar o confronto com Israel se suas exigências não forem aceitas nas negociações para ampliar o período de cessar-fogo na Faixa de Gaza. “Estamos prontos para retomar a batalha se as demandas palestinas não forem atendidas no Cairo”, disse Musher al Masri a seguidores na Cidade de Gaza. O porta-voz do braço armado do grupo que controla a Faixa de Gaza foi ainda mais contundente. “Exigimos que a equipe de negociação saia das conversas se o inimigo continuar resistente. Estamos prontos para uma guerra longa”, disse Abu Obaida em pronunciamento transmitido pela TV do Hamas. O grupo islamita insiste no fim do bloqueio a Gaza e na abertura das fronteiras com o Egito e Israel. “Não vamos aceitar nada menos que isso. Vamos fazer dos tanques do inimigo brinquedos nas mãos das crianças de Gaza”, disse o porta-voz, afrontando Israel.

O cessar-fogo de 72 horas acertado na última segunda-feira termina às 8 horas da manhã desta sexta, pelo horário local (2 horas em Brasília). Na capital egípcia, negociadores tentam ampliar a trégua. Israel, que retirou as tropas de Gaza na terça-feira, declarou-se disposto a prolongar a trégua, mas quer que o Hamas se desarme.

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Na Cidade de Gaza, os apoiadores do grupo fundamentalista palestino cantavam “bomba em Tel Aviv”, enquanto Masri rejeitava a exigência israelense de desarmar o Hamas antes de negociar o fim do bloqueio. “A guerra não acabou ainda. Nossos homens ainda estão em campo, nossos dedos ainda estão no gatilho e nossos foguetes estão apontados para Tel Aviv. Está fora de questão colocar as armas da resistência na mesa de negociação”, disse, segundo declarações reproduzidas pelo jornal britânico The Guardian.

O chefe das Forças Armadas israelenses, general Benny Gantz, disse que se o Hamas violar o cessar-fogo, Israel responderá usando “qualquer força necessária para assegurar a segurança de seus cidadãos”.

Fontes do governo americano disseram que os Estados Unidos terão representantes no Cairo, mas não vão participar das negociações. Na quarta, o presidente Barack Obama celebrou a trégua, e acrescentou que a questão agora é como prolongá-la de maneira sustentável. “Eu não tenho nenhuma simpatia pelo Hamas. Eu tenho muita simpatia pelas pessoas comuns que estão lutando em Gaza”, afirmou o presidente.

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Também na quarta, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que Israel “lamenta profundamente” a morte de civis no conflito, e repetiu que o Hamas coloca foguetes e outros alvos militares onde fica a população palestina. “A responsabilidade por esta tragédia é do Hamas”.

A ofensiva contra o grupo terrorista teve início no dia 8 de julho e deixou 1.888 mortos do lado palestino, segundo números divulgados hoje pelo Ministério da Saúde. Do total de mortos, 446 eram crianças e houve ainda quase 10.000 feridos. A ONU estima que ao menos 70% das vítimas eram civis e cerca de 65.000 moradores tiveram suas casas destruídas. As Forças de Defesa de Israel afirma ter matado cerca de 900 militantes. Sessenta e quatro soldados e três civis israelenses morreram durante a operação.