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Haiti prende 15 colombianos e 2 americanos por assassinato de presidente

Autoridades haitianas haviam informado anteriormente a morte de quatro suspeitos, mas diminuíram o número para três sem explicação

Por Da Redação Atualizado em 9 jul 2021, 08h51 - Publicado em 9 jul 2021, 08h41

A polícia do Haiti anunciou na noite de quinta-feira, 8, a prisão de 17 suspeitos de participação no assassinato do presidente Jovenel Moïse. Dois dos detidos são residentes da Flórida, nos Estados Unidos, enquanto os demais são colombianos. Ao todo, segundo o chefe da polícia haitiana, Leon Charles, são 28 suspeitos, sendo eles 26 colombianos e dois haitianos-americanos.

Charles disse que oito “mercenários” colombianos estão sendo procurados, e os outros três foram mortos em troca de tiros com as forças de segurança. As autoridades haitianas haviam informado anteriormente sobre a morte de quatro suspeitos, mas diminuíram esse número sem explicação.

Mais tarde na quinta-feira, o governo da Colômbia informou que quatro homens presos e outros dois mortos em troca de tiros são ex-militares do Exército colombiano.

“Hoje a Interpol solicitou oficialmente informações ao governo colombiano e à nossa Polícia Nacional sobre os supostos responsáveis por este ato. Inicialmente as informações são de que eles são cidadãos colombianos, ex-membros do Exército Nacional”, disse o ministro da Defesa da Colômbia, Diego Molano, em comunicado.

A possibilidade de interferência estrangeira já havia sido levantada, incluindo pelo embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Bocchit Edmond. Segundo ele, os criminosos que invadiram a casa de Moïse alegavam ser membros da Administração de Fiscalização de Drogas (DEA).

A afirmação foi classificada pelo porta-voz da diplomacia americana, Ned Price, como “absolutamente falsa”.

No comunicado em que anunciou a morte do presidente, no início da semana, o primeiro-ministro Claude Joseph também citou “pessoas não identificadas, que falavam em espanhol e inglês”. As línguas oficiais do país são o francês e o crioulo.

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Três meses

Um dos supostos membros do grupo que matou o presidente revelou que os mercenários colombianos que participaram do assassinato chegaram ao país há três meses. A informação foi dada na quinta-feira ao jornal Le Nouvelliste pelo juiz Clément Noël, que interrogou dois supostos integrantes do grupo, James Solages e Joseph Vincent, ambos americanos de origem haitiana.

Ambos disseram ao juiz que foram contratados como intérpretes e que viram a vaga na internet. A missão seria “prender o presidente Jovenel Moïse como parte da execução de um mandado de investigação”, e “não matá-lo”.

Solages afirmou que havia chegado ao Haiti há um mês, e Vincent contou que estava no país há seis meses.

Perícia

Na quarta-feira, o juiz de paz encarregado do laudo pericial afirmou que Moïse recebeu 12 impactos de bala, de grande calibre e também de 9 milímetros, durante o atentado que o matou,

“Nós o encontramos deitado de costas, calça azul, camisa branca manchada de sangue, boca aberta, olho esquerdo perfurado. Vimos um buraco de bala na testa, um em cada mamilo, três no quadril, um no abdômen,” detalhou o juiz Carl Henry Destin. 

O responsável pela análise do corpo disse que, além de Moise, a outra única ferida foi sua esposa Martine, que está internada em Miami, nos Estados Unidos. A filha do casal estava no mesmo cômodo que seus pais no momento do ataque, mas conseguiu se esconder no quarto do irmão, que também saiu ileso.

O juiz de paz também afirmou que o escritório e o quarto de Moise foram saqueados pelos criminosos, que invadiram a residência do presidente fortemente armados na madrugada de quarta-feira.

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