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Haiti aposta na prevenção para enfrentar potenciais novas catástrofes

Por Da Redação 13 jan 2012, 21h22

Porto Príncipe, 13 jan (EFE).- O primeiro-ministro do Haiti, Garry Conille, afirmou nesta sexta-feira que seu governo deseja transformar o país, atingido há dois anos por um devastador terremoto, tornando-o resistente às catástrofes naturais mediante uma política de prevenção, ‘essencial’ para a reconstrução nacional.

‘As experiências trágicas que a população acaba de viver nos últimos dois anos lembram a cada dia que o risco zero não existe’, ressaltou o chefe de governo.

Conille participou nesta sexta-feira de um fórum que busca otimizar o nível de informação de vários atores sobre o processo de reconstrução que começou devido ao grande terremoto de 12 de janeiro de 2010.

‘É primordial alocar ao processo de reconstrução esforços consideráveis, aproveitando ao mesmo tempo a lição extraída da catástrofe’, destacou o premiê, que marcou como ‘prioridade absoluta’ de seu governo a recuperação da economia nacional.

Ele anunciou que o Gabinete haitiano pretende ‘acelerar a aplicação de uma nova estratégia’ para obter um crescimento significativo da economia, levando em conta que a ‘reconstrução pós-catástrofe deve se inscrever na política de desenvolvimento sustentável’.

Conille também falou da necessidade de uma ‘pedagogia de comunicação’ para conseguir ‘melhor transparência na gestão dos fundos do Estado’.

Neste sentido, ele anunciou a iminente abertura de um site para que o público possa visualizar centenas de projetos pretendidos pelo governo, além de quem vai financiá-los.

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O fórum contou com a presença de personalidades políticas, como o ministro de Planejamento e Cooperação haitiano, Jude Hervé Day, e o representante da ONU para questões humanitárias, Nigel Fischer, além de membros da Câmara do Comércio e Indústria e embaixadores credenciados no Haiti.

A nação lembrou nesta quinta-feira, com diversos eventos oficiais, o fatídico dia em que um terremoto de 7,3 graus de magnitude na escala Richter deixou mais de 300 mil mortos, outros 300 mil feridos e 1,5 milhão de desabrigados em Porto Príncipe e em outras cidades próximas.

O presidente do Haiti, Michel Martelly, liderou nesta quinta-feira a cerimônia oficial de memória do segundo aniversário, celebrada em Titanyen (ao norte de Porto Príncipe), e ao lembrar o quão difícil foi a repercussão do terremoto, forçando o país a se reconstruir sobre novas bases.

Para ele, é muito importante a reordenação do território, pois pode ajudar a reduzir os efeitos da catástrofe.

Um dos grandes problemas que o governo enfrenta é a dificuldade para encontrar terrenos onde alojar os desabrigados do terremoto, dos quais 520 mil ainda vivem em acampamentos provisórios, segundo dados da ONU.

Martelly defendeu que o Haiti considere o terremoto como uma lição e construa moradias que possam resistir a catástrofes naturais. Ele mencionou também outros problemas da vida dos cidadãos, como a falta de acesso a serviços, a situação dos ‘restavek’ (milhares de crianças exploradas para trabalhos domésticos em casas de parentes), a falta de unidade da população e a fraqueza da produção nacional.

Também nesta quinta-feira, à margem dos atos oficiais, os haitianos homenagearam as vítimas com atividades alternativas às oficiais, como manifestações para lembrar a tragédia, e reivindicaram uma nova forma de conceber a reconstrução do país. EFE

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