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Hague: ‘Irã enfrentará sérias consequências pelos ataques’

Os ataques contra prédios do complexo da embaixada britânica na capital iraniana, realizados por estudantes islâmicos insatisfeitos com as sanções de Londres ao programa nuclear iraniano, abalaram ainda mais as relações entre Teerã e Londres. O secretário britânico de Relações Exteriores, William Hague, alertou na noite desta terça-feira que o Irã enfrentará sérias consequências pela atitude, que colocou em risco a segurança de seus funcionários e causou grandes prejuízos às propriedades do governo. A Grã-Bretanha considerou o governo iraniano responsável pela “gravíssima falha” de segurança que permitiu o ataque.

O Conselho de Segurança da ONU também condenou os ataques e exigiu que as autoridades iranianas protegessem os diplomatas. “Os integrantes do Conselho de Segurança condenaram nos termos mais fortes os ataques contra a embaixada da Grã-Bretanha em Teerã, no Irã, que resultaram em invasões nas instalações diplomática e consular, causando sérios danos”, afirmou o embaixador de Portugal na Organização das Nações Unidas, José Filipe Moraes Cabral. O comunicado, sem força de cumprimento obrigatório, foi aprovado por unanimidade por todos os 15 integrantes do Conselho, incluindo Rússia e China.

O Ministério de Relações Exteriores da Grã-Bretanha recomendou que os cidadãos de seu país evitem as viagens não essenciais ao Irã e pediu ao pequeno número de britânicos que se encontram ali que permaneçam em suas casas. Os jovens manifestantes içaram a bandeira iraniana no mastro do edifício britânico, queimaram a insígnia da Grã-Bretanha e entraram nas dependências, onde saquearam documentos e destruíram um retrato da rainha Elizabeth II. O cenário lembrou uma outra invasão, em 1980 – daquela vez de um prédio americano, que envolveu uma longa negociação pela liberdade dos reféns.

Polícia – A polícia esvaziou a embaixada britânica em Teerã e suas imediações depois dos três ataques de estudantes islâmicos que protestavam pelas novas sanções impostas por Londres ao Irã. Além de serem explusos de dois edifícios do principal complexo diplomático, os manifestantes também foram forçados a deixar um outro prédio pertencente ao governo britânico no norte da capital, segundo a agência estudantil Isna. De acordo com a imprensa local, a situação se normalizou por volta das 20h15 do horário local (14h45 de Brasília), quando as forças de segurança deram um ultimato aos estudantes.

A agência local Mehr declarou que a polícia utilizou gás lacrimogêneo e outros materiais antidistúrbios contra os manifestantes concentrados na zona da residência do embaixador e da embaixada britânicas. Os estudantes, por sua vez, disseram à agência que tiraram “documentos muito importantes” da embaixada britânica e que os transferiram para um “lugar seguro”. Os ocupantes asseguravam que só sairiam do local por ordem do líder supremo da República Islâmica, o aiatolá Ali Khamenei. De acordo com algumas agências, os estudantes teriam mantido retidos durante a tarde seis funcionários da embaixada britânica não identificados, que teriam sido libertados pela polícia e entregues a um representante da Grã-Bretanha. Mas a informação é negada pelo governo britânico.

Episódio – Os ataques ocorreram um dia depois de o Irã aprovar legislação que diminui as relações diplomáticas com o governo britânico, em retaliação ao recente boicote às instituições financeiras e empresas iranianas adotado por Londres e Washington para pressionar o país islâmico a interromper seu programa nuclear, altamente suspeito de desenvolver armas atômicas segundo relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Em resposta, o governo britânico condenou o protesto, a que chamou de ‘inaceitável’, e pediu ao Executivo iraniano que defenda seus diplomatas em serviço no país.

O Ministério de Relações Exteriores do Irã, de acordo com a Mehr, manifestou em comunicado que lamenta o “comportamento inaceitável” de alguns manifestantes nas instalações diplomáticas britânicas. A nota afirmou que os fatos aconteceram “apesar dos esforços da polícia” e do reforço das medidas de proteção da Embaixada. Também pede que sejam adotadas as medidas necessárias para acabar com o problema “de forma urgente”. O documento ressaltou o respeito do Ministério de Relações Exteriores do Irã pela legislação internacional e pela imunidade do pessoal e dos recintos diplomáticos.