Hackers suspeitos de ligação com Irã miram infraestrutura crítica dos EUA
Agências americanas dizem que invasores exploram controladores usados em setores como água e energia
Agências do governo dos Estados Unidos alertaram nesta quarta-feira, 19, para uma “ameaça ativa” de hackers contra controladores fabricados pela alemã Siemens e utilizados em sistemas de infraestrutura crítica do país. Embora especialistas investiguem uma possível ligação com o Irã, as autoridades americanas ainda não atribuíram formalmente os ataques ao governo iraniano.
O alerta foi emitido em conjunto pela Agência de Segurança Nacional (NSA), pelo FBI, pelo Departamento de Energia, pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) e pela Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (Cisa), ligada ao Departamento de Segurança Interna.
Segundo as agências, os alvos são controladores lógicos programáveis (PLCs, na sigla em inglês) da série S7, da Siemens. Os dispositivos funcionam como uma espécie de “cérebro” de sistemas industriais, permitindo monitorar e controlar processos automatizados. A tecnologia é utilizada em setores como abastecimento de água e tratamento de esgoto, geração e distribuição de energia, manufatura, indústria química, produção de alimentos e agricultura.
De acordo com o comunicado, o comprometimento desses equipamentos pode provocar impactos que vão além do roubo de informações, já que eles estão diretamente envolvidos no funcionamento de sistemas industriais. As autoridades também alertaram para riscos de exposição de dados sensíveis, violações de normas de segurança e efeitos em cascata sobre sistemas interconectados.
O aviso desta quarta-feira ocorre após uma série de alertas da Cisa sobre o aumento das tentativas de invasão de controladores. Em 30 de julho, a agência informou ter identificado um crescimento significativo de ataques contra esses dispositivos.
Suspeita de ligação com o Irã
A possibilidade de participação iraniana é investigada em meio a uma série de ataques cibernéticos contra sistemas locais de abastecimento de água em diferentes estados americanos nas últimas semanas. Até agora, porém, as autoridades federais não estabeleceram uma relação formal entre os incidentes e Teerã.
Em um comunicado divulgado em 22 de julho, a Cisa havia alertado que hackers afiliados ao Irã estavam explorando equipamentos fabricados pela Siemens, pela Rockwell Automation e pela Schneider Electric.
Dias depois, em 31 de julho, o presidente Donald Trump afirmou que não acreditava que o Irã estivesse por trás dos ataques e atribuiu a responsabilidade ao Estado de Minnesota, que havia sido o primeiro a relatar uma série de pelo menos 30 incidentes cibernéticos envolvendo sistemas de água nos dias 26 e 27 de julho.
Nesta terça-feira, 18, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciaram acusações contra 17 iranianos por uma suposta campanha de espionagem e roubo de dados que teria se estendido por anos.
Segundo o órgão, integrantes do Instituto Mabna, sediado no Irã, são acusados de invadir sistemas de 144 universidades americanas e 42 empresas privadas desde pelo menos 2013. Durante a operação, eles teriam roubado mais de 31 terabytes de dados acadêmicos e propriedade intelectual, avaliados pelo governo americano em cerca de 3,4 bilhões de dólares.
As autoridades afirmam que a campanha também atingiu contas de funcionários de pelo menos cinco agências governamentais dos Estados Unidos, além de instituições acadêmicas e empresas estrangeiras. O Departamento de Justiça acusa ainda o grupo de ter atuado em nome da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e de outros clientes do governo iraniano.







